Por que Lula deve ser preso, por que Lula tem de ser solto, segundo moradores de favelas 0 33

Milhares de brasileiros acompanham por diversos meios de comunicação o desfecho da prisão do ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Conhecido por ter uma linha de governo populista, sua atuação política de 50 anos divide opiniões. A polarização no país reflete até nas favelas cariocas, onde recentemente a discussão se existem ‘pobres de direita’ vem ganhando destaque. Outros moradores dizem que a política de base da esquerda enfraqueceu os movimentos sociais das favelas nas últimas décadas.

Lula foi condenado, em 2017, pelo juiz federal Sergio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão, além de multa, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de receber R$ 2,2 milhões em propinas da OAS, empreiteira envolvida no esquema de desvios investigado pela Lava Jato. Segundo Moro, em troca de favores políticos à OAS, o ex-presidente foi beneficiado com a reserva e reformas de um apartamento tríplex no Guarujá, litoral paulista.

Ato da Caravana Lula Pelo Brasil em Florianópolis. (Foto: Ricardo Stuckert/ 24.03.2018)

Horas antes de se entregar à Polícia Federal, em São Paulo, o ex-presidente fez um discurso emocionado em cima de um caminhão, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. “Eu não estou acima da Justiça. Se eu não acreditasse na Justiça, eu não tinha feito partido político. Eu tinha proposto uma revolução nesse país. Mas eu acredito na Justiça, numa Justiça justa, numa Justiça que vota um processo baseado nos autos do processo, baseado nas informações das acusações, das defesas, na prova concreta que tem a arma do crime.”, disse Lula.

E completou: “O que eu não posso admitir é um procurador que fez um Powerpoint e foi pra televisão dizer que o PT é uma organização criminosa que nasceu para roubar o Brasil e que o Lula, por ser a figura mais importante desse partido, o Lula é o chefe, e portanto, se o Lula é o chefe, diz o procurador, “eu não preciso de provas, eu tenho convicção”. Eu quero que ele guarde a convicção deles para os comparsas deles, para os asseclas deles e não para mim. Certamente um ladrão não estaria exigindo prova. Estaria de rabo preso com a boca fechada torcendo para a imprensa não falar o nome dele.”

Procuramos moradores de favelas para ouvir suas opiniões sobre a detenção do ex-presidente Lula e o que ele representa para a sociedade. Reiteramos a importância e valorização da liberdade de expressão – direito de qualquer um manifestar, livremente, opiniões, ideias e pensamentos pessoais sem medo de retaliação ou censura por parte do governo ou de outros membros da sociedade. As opiniões a seguir não contribuem para a propagação de discursos de ódio.

Jefferson Barbosa, morador de Caxias, na Baixada Fluminense
Estudante

“A prisão de Lula é política. É simbólica. Quando prendem ele atingem todos que ele representava: os nordestinos, os pobres e os que historicamente são massacrados no Brasil. Lula representa o ciclo mais importante do país nos últimos 20 anos, período em que aconteceram as maiores transformações. Por isso, discordo com a prisão dele, tal qual um Mandela. São dois marcos enquanto líderes nos seus países. Foram presos e se tornaram presidente.”

Cléber Araujo, morador da Rocinha, na zona sul do Rio
Assessor de comunicação

“Assistimos uma perseguição política feita através do judiciário, que mesmo sem provas o condena por convicção. De certa forma é a parcela da população mais pobre que sofre o golpe, desde o impeachment da Dilma, perdendo os direitos conquistados. Parece que a gente não saí desse ciclo político do ‘tira e bota’. Um governo dá e o outro tira, um inicia e outro manda parar e mudar tudo. Isso acontece na esfera federal, estadual e municipal. Podemos lembrar dos CIEPs – os antigos brizolões -, que se não tivesse sido descontinuado teria transformado a realidade nos territórios de periferia. Antes foi no ensino básico, agora a política de descontinuação tende a atingir a entrada do pobre no meio acadêmico.”

Laura Silva, moradora do Complexo da Maré, na zona norte do Rio
Gerente de loja

“Eu apoio a prisão do ex-presidente Lula, mas também apoio a prisão de todos os políticos corruptos. Ele foi um bom presidente, entretanto, ele errou e precisa pagar pelo erro. No mandato dele, os pobres tiveram mais oportunidade. A taxa de emprego era alta, mais oportunidades em estudos e outros projetos. Claro que estão focando só nele, mas tem muitos políticos piores do que ele. No caso do triplex ele deixou se levar pelo sistema. Mesmo sem provas merece ser preso. Não acredito em políticos e considero tudo farinha do mesmo saco. Sou uma mulher desacreditada em nosso país.”

Marcelo Magano, morador da Cidade de Deus, na zona oeste do Rio
Ator e comediante

“O ex-presidente representa mudança de quadro, esperança no dia para várias famílias faveladas, incluindo pessoas nas universidades e na economia do Brasil. Ele ser preso é vê essa mesma esperança morrer e ter que engolir que isso é o maior ‘crime’ que a elite brasileira não quer aceitar.”

Carlos Nascimento, morador da Rocinha, na zona sul do Rio
Professor de Educação Física

“Eu espero que a prisão dele sirva de exemplo. Não digo que ele foi um péssimo presidente, não tenho dados decorados do governo dele, mas acredito que ele é uma decepção. Ele se transformou de ‘a esperança’ para a decepção. Era um cara que saiu da pobreza e chegou a presidência. Deveria ser exemplo. E se tornou mais um no meio do mundo sujo da política. Não acho que seja o fim da corrupção, mas ele não merece estar livre… assim como outros, que eu espero que sejam julgados e presos. Numa visão geral, o Lula é a decepção de uma classe que ainda insiste em tentar acreditar nele. Não sei se por medo de perder a esperança, ou não se conformando que acreditou no homem errado.”

Elizete Neves, moradora da Providência, na zona central do Rio
Auxiliar de serviços gerais

“Eu sempre votei no Lula nas eleições. Quando cheguei na Providência em 1980, ouvi falar por alto dele. Foi e é um grande líder. O problema não é o Lula, é o PT. Consegui montar minha casa com muitos benefícios concedidos no governo do Lula. Agora, não vejo porque prenderem ele sem provas. Se ele se corrompeu, deve cumprir sua pena. Única coisa que não gostei no governo dele foi as conversas dele para manter as Forças Armadas na Providência por volta de 2008. Fora isso, continuarei votando nele sempre que possível.”

Rafael Balbo, morador do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio

“Meu morro tem guerra e tiroteios constantes desde 1994. A pior parte da guerra foi durante o governo Lula. ‘Ah mas ele fez muito pelos pobres, você é favelado então tem o dever moral de defender o Lula’. Fez mesmo, botou Exército, Força Nacional, encabeçou o ano mais truculento da história da favela com exército invadindo casa de moradores. Prometeu o mundo com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e não cumpriu. Não fez faculdade, não fez curso técnico, não gerou emprego. Só fez 20% do saneamento básico prometido e a gente segue sem saneamento básico na favela até hoje. Eu sei que a responsabilidade da execução das obras era do estado. Mas tem que forçar a barra pra não ver que aqui no Rio o governo do Cabral, do Lula e depois da Dilma era o mesmo. Governo aliado um do outro. Para muita gente a prisão do Lula, de um ex-presidente considerado corrupto, é sinal de que a justiça funciona. Por outro lado ainda tem quem veja o Lula como uma figura ligado aos pobres e vê nisso um ataque aos pobres. Isso é forçação de barra porque ele deixou de ser isso a muito tempo. Quem traiu o povo e cagou no próprio legado foi ele mesmo.

Atualizado em 08/04/2018, às 13h00

#MarçoPorMarielle começa com inauguração da Casa Marielle 0 16

Inauguração Casa Marielle

Há poucos dias do Dia Internacional da Mulher (8/3), o Instituto Marielle Franco inaugurou no dia 1/3, a Casa Marielle, no Largo de São Francisco da Prainha, na Saúde, região central do Rio. O espaço é uma iniciativa da família de Marielle Franco através de uma campanha de financiamento coletivo lançada pelo instituto. Mais de 5 mil pessoas apreciaram a abertura da casa sendo recepcionadas por um cortejo carnavalesco.

A tag #MarçoPorMarielle representa um mês de luta para cobrar por quase 2 anos sem respostas sobre porquê e quem mandou matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. O instituto está mapeando indivíduos e coletivos interessados em realizar ações por um país mais justo e um futuro diferente para as próximas gerações. É possível cadastrar seu coletivo clicando aqui. Em breve será lançado um mapa com todas as ações que ocorrerão em março pelo mundo inteiro.

O mês de março é de luta das mulheres e da família de Marielle, mas quem esteve presente no evento de domingo ou pôde acompanhar pela internet, viu que foi um primeiro de março recheado de amor para celebrar a memória e o legado da vereadora. A celebração recebeu diversos artistas e teve início às 15h30 e ocorreu até o fim da noite de domingo. Mesmo horário da exposição permanente do acervo pessoal e político da vereadora que está aberta à visitação.

Muitas pessoas registraram nas redes sociais momentos que transmitem a emoção e a grandeza que a Casa e o legado de Marielle representam. A exemplo disso, no tuíte abaixo dá pra sentir o momento que o cortejo chega ao Largo São Francisco da Prainha, 58, endereço da Casa Marielle na Saúde, Centro do Rio. O instituto aproveitou o momento para arrecadar alimentos para famílias atingidas pelas fortes chuvas e falta de investimento público na prevenção de enchentes na cidade.

A abertura da Casa Marielle é a primeira etapa de cinco, todas detalhadas na campanha de financiamento coletivo do Instituto Marielle Franco. A campanha ainda corre e precisa de apoio para possibilitar realizações ainda maiores, como fortalecer jovens negras, LGBTs e periféricas de todo o Brasil, através da Escola Marielles, orientando essas mulheres para lidarem com os desafios da luta por uma sociedade mais justa e menos desigual. Para doar basta acessar o site https://www.apoie.institutomariellefranco.org/.

Abraça o papo: apoie o Favela em Pauta



Texto: Renato Silva / Edição: Michel Silva / Foto: Mayara Donaria

[URGENTE] Raull Santiago é agredido por policiais do choque na Avenida Brasil 1 31

O comunicador e midiativista Raull Santiago acaba de ser agredido em uma bliz de policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar-RJ na noite desta quarta-feira (19) enquanto se dirigia para casa de sua mãe para comemorar o próprio aniversário. Raull estava na companhia de Lana Souza, cofundadora do Coletivo Papo Reto, Thiago Purificação e Ricardo Fernandes, que havia sido abordado inicialmente.

Enquanto Ricardo era abordado e sofria de abuso policial, quando o agente de segurança acessava indevidamente seu telefone celular, Raull Santiago resolveu transmitir a ação através de seu perfil no Twitter.

No decorrer da transmissão, Raull tenta intervir ao identificar o abuso e outro agente vem em sua direção, solicita o documento de identidade e ao perceber que está sendo filmado o agride, tomando seu aparelho celular e interrompendo violentamente a transmissão ao vivo.

Após alguns minutos de tentativa de acalmar a situação e evitar o pior em uma situação de abuso, ambos foram conduzidos para a 21° DP de Bonsucesso.

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