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Cultura

8 Documentários para celebrar o Dia Internacional da Mulher

Renato Silva

Publicado há

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Celebrando o Dia Internacional da Mulher, selecionamos 8 obras audiovisuais produzidas por e sobre mulheres. Compartilhando realidades e dilemas sobre suas lutas, a lista de documentários independentes ajudam a reconhecer, valorizar e mobilizar pela luta histórica dos diversos e diferentes movimentos de mulheres na luta por direitos pelo mundo.

Todas as produções listadas vivem na #Bombozila – uma plataforma que reúne, organiza e facilita o acesso à produções documentais independentes. Com mais de 400 obras no catálogo, a #Bombozila tem foco na resistência política, além de mobilizações, seja por manutenção ou pela luta em favor dos direitos humanos básicos e muitas outras causas.

O dia Internacional da mulher é uma data estabelecida pela ONU na década de 1970 para simbolizar as lutas históricas de mulheres para equiparação salarial e de condições em relação aos homens, mas que foi ganhando mais simbolismos ao longo do tempo, como a luta contra a estrutura social machista e a violência que ela gera, entre tantos outros símbolos e causas que cercam a realidade da vida de uma mulher. 

  1. A DOR REPRIMIDA: VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E MULHERES NEGRAS – 

    Uma em cada quatro brasileiras que deram à luz já foi vítima de violência obstétrica. O tratamento hostil, seja na hora do parto, do pré-natal, do puerpério (pós-parto) ou numa situação de aborto é ainda mais comum entre mulheres negras e de periferia. “A dor reprimida: violência obstétrica e mulheres negras” propõe um debate sobre o tema, partindo de depoimentos de mulheres e profissionais que vivenciaram este conjunto de atos desrespeitosos, abusos, maus-tratos e negligência contra as mães. O documentário é o resultado do Trabalho de Conclusão de Curso da jornalista Mariana Sales pela Facom (UFBA).
  2. TRANSBAIXADA – 

    “TransBaixada” é um curta – documentário que traz um pequeno mergulho no universo trans na Baixada a partir dos relatos de três mulheres: uma cantora de funk de Queimados, uma funcionária da FIOCRUZ que mora em São João de Meriti e uma ex prostituta que viveu 10 anos na Itália mas não troca Caxias por nenhuma cidade do mundo.
  3. MAPANA

    Mapana é o nome de uma associação de mulheres do povo Ticuna. Localizada em Belém do Solimões (8 mil pessoas), a maior comunidade deste que é o maior grupo indígena do Brasil. Esta associação fornece produtos de suas roças para a merenda escolar de todas as escolas de Tabatinga (AM). Com seus resultados, tamanho e volume de produção, trata-se de uma experiência única que serve de exemplo para outras associações indígenas e comunitárias.
  4. ARPILLERAS: ATINGIDAS POR BARRAGENS BORDANDO A RESISTÊNCIA – 

    O filme “Arpilleras” conta a história de dez mulheres atingidas por barragens das cinco regiões do Brasil que, por meio de uma técnica de bordado surgida no Chile durante a ditadura militar, costuraram seus relatos de dor, luta e superação frente às violações sofridas em suas vidas cotidianas. A costura, que sempre foi vista como tarefa do lar, transformou-se numa ferramenta poderosa de resistência, de denúncia e empoderamento feminino. Por meio desse “fio” condutor, cada mulher bordou sua história, singular e coletiva, na respectiva região do mapa do Brasil. No final das filmagens, formou-se um mosaico multifacetado de relatos de dor e superação. Estes bordados, que segundo Violeta Parra “são canções que se pintam”, trazem ao público uma reflexão do que é ser mulher atingida. Se lá, no Chile, é seguir procurando suas memórias espalhadas como grãos de areia no deserto, aqui é buscar no fundo dos rios suas vidas alagadas, organizar-se, lutar e resistir.
  5. SAGRADO FEMININO EM PIABAS – 

    O documentário “Sagrado Feminino: o que o campo diz?” traz o relato das mulheres pretas e suas memórias das práticas de cuidado com a saúde, antes da chegada da medicina alopática. O filme aborda a inserção desses profissionais e as transformações ocorridas nessa comunidade, destacando também perfis de mulheres que contribuem para a sustentação dessa rede de saúde e cura, que reúne diferentes procedimentos, desde as rezas e benzimentos ancestrais até os medicamentos e remédios da biomedicina. Mas este documentário revela algo mais da riqueza singular que a pequena comunidade de Piabas possui.
  6. MARGARIDAS, LUTA E PÉ NA ESTRADA

    “Margaridas: luta e pé na estrada” é fruto da pesquisa de doutorado intitulada “Narrativas de si em Movimento, uma genealogia da ação política das mulheres trabalhadoras rurais do sul do Brasil”.

    O filme acompanha a participação de um grupo de mulheres trabalhadoras rurais da região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul na V Marcha das Margaridas, realizada em agosto de 2015 em Brasília-DF. Retrata o processo de participação na Marcha das Margaridas, desde a viagem em direção à Brasília, a chegada, a participação nas atividadades e a avaliação no retorno para casa. As narrativas das mulheres expressam os efeitos do processo de luta por melhores condições de saúde, educação, moradia, trabalho, acesso a terra e garantia de vida digna que compõem a pauta do movimento.
  7. POR ELAS – 

    Quatro mulheres compartilham suas histórias de violências, refletindo sobre o papel da sociedade na violência contra a mulher. 
  8. A MULHER QUE MOVE O MUNDO – 

    O curta-metragem documental “A Mulher Move O Mundo” retrata as ruas em 4 ocasiões: os 2 atos do 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher, ocorridos de dia e à noite, e as reações à execução da vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ), tanto na vigília ocorrida na Praça Universitária, quanto no ato do dia seguinte.

    A denúncia do feminicídio e da opressão patriarcal, a construção de sororidade, o lamento pela morte de Marielle e a conclamação pela legalização do aborto e pela maior participação das mulheres nos governos, dentre outros elementos, somaram-se no grande caldeirão de manifestações cívicas de Março de 2018 em Goiânia.

Essa lista compreende realidades e cenários diferentes, vividos por mulheres de regiões distintas do Brasil, mas não aborda todas as questões que a estrutura social do nosso país faz com que sejam necessárias. Por isso, convidamos a todos a um aprofundamento no debate para além do simbólico Dia Internacional da Mulher, possibilitando enriquecer debater e a realização de mudanças factíveis que alcancem as vidas de cada brasileira. 

Texto: Renato Silva / Edição: Daiene Mendes / Foto: Divulgação/Bombozila

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