Al Jazeera irá treinar jovens de favelas em tecnologias de vídeo 360°. Veja como participar 0 14

As tecnologias imersivas de comunicação na web vem contribuindo para que comunicadores possam envolver o público nas reportagens. A Al Jazeera, maior emissora de televisão jornalística do Catar, em parceria com os coletivos Papo Reto e GatoMídia, convidam jovens para participar de uma seleção do workshop de vídeos em 360 graus My people, our stories (Meu povo, nossas histórias). O projeto também conta o apoio das produtores Sete Leguas Filmes e Studio Kwo, além do apoio da Samsung. A iniciativa global liderada pela Constrat VR/Al Jazeera inicia e forma jovens do Sul Global em tecnologias imersivas de comunicação na web.

O projeto escolhe especificamente jovens que nunca tiveram experiência com vídeos 360°, assim como pessoas com práticas em produção de vídeo vindo de países onde há menor penetração da tecnologia 360°. Dessa forma, o projeto visa ajudar a desfazer qualquer barreira de entrada nessa área de trabalho, bem como dar suporte àqueles que querem contar suas histórias de maneira inovadora.


Trecho de documentário sobre uso das artes cênicas para educar crianças nas favelas do Quênia, na África

10 jovens de regiões da cidade do Rio de Janeiro serão reunidos, com o intuito de cobrir histórias dessas comunidades que, de alguma forma, se relacionam com questões políticas e com as eleições presidenciais de 2018. O workshop ocorrerá de 29 de agosto a 4 de setembro em período integral na Nave do Conhecimento, unidade Nova Brasília, Complexo do Alemão.

Os participantes receberão auxílio passagem e alimentação durante o período do workshop, assim como acesso a todos os equipamentos necessários para produção de vídeos em 360 graus. O conteúdo produzido será publicado nas plataformas da Al Jazeera / Contrast VR com milhões de visualizações.

As inscrições ocorrem até o dia 6 de agosto e o resultado da seleção será divulgado no dia 12 de agosto. Os interessados podem se inscrever através do link: https://goo.gl/forms/6AQRYTMKTWwWRTzd2

Uns pela direita, uns pela esquerda: favelados tomando no centro 1 29

Não está sendo fácil compreender a polarização do debate político brasileiro nos últimos anos. Dia desses, um amigo morador de favela disse que foi até a barbearia dar um trato no visual – todos os barbeiros negros, favelados, evangélicos – e os clientes discutiam em quem votar na próxima eleição presidencial. Com um minuto de conversa, ele descobriu que todos eles eram eleitores de Jair Messias Bolsonaro (PSL). A tentativa de apresentar e explicar as propostas de outro candidato, como Boulos (Psol) ou Fernando Haddad (PT) foi em vão. É difícil dialogar com um eleitor de Bolsonaro, pois a maioria se informa por meio do WhatsApp. Um berço de fake news.

Quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a Rocinha em março de 2008, para o lançamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento em favelas do Rio, os moradores estenderam uma faixa agradecendo o presidente pelo pacote de obras. Uma década depois, o conservadorismo avançou pelas favelas. O discurso bolsonarista vem ganhando força através de questões morais. Lula, agora, não é mais a bola da vez. Fernando Haddad, o substituto de Lula, carrega uma enorme responsabilidade. Pois, como ele diz em seu slogan: “Haddad é Lula” e o objetivo é fazer o povo feliz de novo. No entanto, Bolsonaro e Lula tem algo em comum: ambos são populistas.

Se há dez anos atrás Lula era aplaudido pelos investimentos sociais no país, hoje os moradores dizem que ele virou farinha do mesmo saco. “Foi engolido pelo sistema”, é a frase que mais ouço entre os eleitores de Bolsonaro, inclusive, alguns com quem conversei já votaram em Lula/Dilma. Os favelados conservadores enxergam o candidato do PSL como uma pessoa de fora do sistema. A falta de uma autocrítica do Partido dos Trabalhadores (PT) também é lembrada pelos moradores. Faltou humildade em não assumir erros. Mas engana-se quem pensa que a corrupção no país nasceu com o PT. A corrupção no Brasil existe desde o período colonial.

Mas será que a onda conservadora da favela tem origem na insegurança pública do Rio de Janeiro? Ou a população pobre se voltou contra as políticas sociais?

O Bolsa Família é um programa que contribui para o combate à pobreza e à desigualdade no Brasil. Cerca de 538.490 famílias estão inseridas no Cadastro Único no município do Rio de Janeiro. Dessas, 247.037 famílias são beneficiárias pelo Bolsa Família. O valor médio do benefício é de R$ 170,88 por família. Muitas famílias ainda precisam desse benefício. Outras famílias acreditam ser uma esmola que acomoda pobres. Porém, os conservadores não tem clareza sobre como podemos diminuir a desigualdade social sem as políticas sociais.

O ex-capitão do Exército, Bolsonaro, é um saudosista da ditadura militar no Brasil. E como nosso povo tem memória curta, vale lembrar que naquele período os militares fizeram remoções forçadas, além da presença militarizada do Estado no cotidiano dos moradores. Entre 1962 e 1974, mais de 140.000 pessoas foram removidas de suas casas, em especial nos bairros nobres, como a Lagoa e o Leblon, de acordo com o Relatório da Comissão da Verdade do Rio. Em 2018, vivemos uma intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. O modus operandi continua sendo o mesmo. Mais e mais operações militares nas favelas. Com Haddad ou Bolsonaro, os tiroteios vão continuar porque sistema é foda.

O PT não soube desenvolver sua política de base nas favelas e nem em bairros populares nos anos em que esteve no poder. A incapacidade do governo de lidar com a pobreza e a violência permitiu o crescimento das igrejas evangélicas nesses territórios. Além das ideias religiosas, o evangelismo aproveitou a ausência do governo e passaram a tratar de assuntos sociais com os quais as pessoas lidam todos os dias. O fato de oferecer educação, segurança e desenvolvimento econômico ajudou a fortalecer o pensamento conservador. “Confesso para ti que é difícil de entender, no país do carnaval o povo nem tem o que comer”, cantou MV Bill na música “Só Deus pode me julgar”.

O conservadorismo não é o único fator que alavancou a popularidade de Bolsonaro. As pessoas estão desesperada por um político que traga algo novo. Mas, de novo, Bolsonaro não tem nada. Ele está na vida pública há 20 anos e ninguém sabe o que ele fez pelo estado do Rio.

Nada contra os debates morais, mas nosso país sente fome. Não é possível convivermos com a alta do desemprego, avanço da pobreza, corte de beneficiários do Bolsa Família e o congelamento dos gastos públicos por até 20 anos. Este último, Bolsonaro (na época era do PSC), votou a favor de fazer o Brasil retroceder 20 anos em 2 anos. Agora, ele se apresenta como solução para os brasileiros.

Independente de quem for o próximo presidente do Brasil, nós, os pobres, devemos abrir os olhos e votar criticamente. Que o sentimento anti-petista não nos leve para um cenário fascista, onde os conservadores falam sempre em corrupção, a ameaça à família tradicional e aos valores nacionais, mas reproduzem as mesmas atitudes da velha política. Tenhamos cuidado em quem vamos eleger, se não, continuaremos tomando no centro.

UFRJ: Inscrições abertas para o curso Mídia, Violência e Direitos Humanos 0 18

Comunicadores, lideranças populares, pesquisadores e profissionais que atuam em favelas e periferias, podem se inscrever para a 5ª edição do Curso de Extensão Mídia, Violência e Direitos Humanos, até o dia 1º de agosto.

A presença de comunicadores populares no curso é fundamental para democratizar e disseminar o acesso a outras formas de narrativas, para que, também, novos comunicadores sejam formados e continuem promovendo cada vez mais essa discussão nos seus territórios. Uma tentativa de quebrar a narrativa hegemônica que naturaliza a violência e legitima a violência do estado contra negros, pobres e moradores de favelas e periferias.

Realizado pelo Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (Nepp-DH), o curso tem apenas 60 vagas disponíveis, mas permite ouvintes. Os interessados devem enviar nome, endereço, profissão e os motivos pelos quais deseja participar (até 3 linhas) para o e-mail mvdh@nepp-dh.ufrj.br. Para o recebimento de certificado, o participante deverá comparecer a pelo menos 75% dos encontros.

Nesta edição, a seleção dos candidatos é mais democrática. Será feita através de sorteio uma semana antes do início das aulas e divulgada na página do curso. Esta é edição mais longa, com 12 encontros as quintas-feiras e duração total de três meses. O formato é mesclado, entre aulas expositivas, mesa temática e roda de conversa. A última aula será especial, com exibição do filme “Nossos mortos têm voz” e a presença de seus criadores.

O conteúdo das aulas faz um convite à reflexão, sobre como a mídia hegemônica representa a violência em diferentes aspectos. Um debate mais que necessário para fortalecer e discutir maneiras alternativas de desconstruir um discurso para construir outro, de forma coletiva e colaborativa.

Alunos e alunas em uma aula do curso no ano de 2015. (Foto: Naldinho Lourenço)

“A cada edição, a gente incorpora mais pessoas que participaram dos cursos anteriores e tá conseguindo criar uma rede de pesquisadores e profissionais que atuam em favelas e periferias, comunicadores, lideranças populares, onde a gente faz um espaço de troca de conhecimento, da academia com as pessoas que trabalham ou moram e atuam em favelas e periferias”, afirma Pedro Barreto, Jornalista e o principal realizador do curso desde a 1ª edição, em 2013.

Em 2013, a professora Mariléa Venâncio e então Diretora do NEPP-DH, espaço que promove atividades de extensão e Pós-Graduação na UFRJ, convidou Pedro para ministrar o curso, a partir da sua pesquisa de Mestrado que, anos depois, se tornou tese de Doutorado Narrativas de Lei e Ordem: uma análise da cobertura de ´O Globo`sobre as Unidades de Polícia Pacificadora. Desde então, a discussão sobre a mídia foi incorporada ao NEPP-DH e realizada anualmente com o apoio e a mobilização da rede formada durante as edições.

Serviço

V Curso de Extensão Mídia, Violência e Direitos Humanos Dias: as quintas-feiras, de agosto a novembro de 2018 Horário: 17h30 às 20h30
Local: auditório do Nepp-DH (Avenida Pasteur 250, fundos. Urca – RJ)

Programação completa

9 de agosto: “O extermínio da juventude negra no Brasil”. Palestrantes: Mônica Francisco, cientista social e liderança do Movimento de Favelas; Renata Souza, jornalista e doutora em Comunicação e Cultura pela ECO-UFRJ; e Vantuil Pereira, historiador, professor e diretor do Nepp-DH. Mediação: Aline Sant´Ana, jornalista e mestra em Comunicação pelo PPGCOM/Uerj.

16 de agosto: Apresentação do curso “Mídia, violência e Direitos Humanos” e apresentação dos alunos. Palestrantes: Pedro Barreto, jornalista do SeCom/CFCH, doutor em Comunicação e Cultura e coordenador do curso; e Diego Santos Francisco, jornalista, mestre em Comunicação pelo PPGCom/Uerj e doutorando em Relações Étnico-Raciais pelo Cefet. Mediação: Aline Sant´Anna, jornalista, mestra em Comunicação pelo PPGCOM/Uerj e professora do Cederj.

23 de agosto: “O que são os Direitos Humanos?”. Professor: a confirmar.

30 de agosto: “Teoria crítica dos Direitos Humanos”. Professora: Ana Cláudia Tavares, professora do Nepp-DH/UFRJ.

6 de setembro: “Bandidos e vítimas virtuais: a representação da violência na mídia”, com a presença dos professores Michel Misse (IFCS) e Paulo Vaz (ECO). Mediação: Tatiana Lima, jornalista e professora da UFRRJ.

13 de setembro: “O monopólio midiático no Brasil: é possível mudar ‘por dentro’?”. Professoras: Suzy dos Santos (ECO/UFRJ) e Márcio Castilho (UFF). Mediação: Akemi Nitahara, jornalista da EBC.

27 de setembro: “A violência de gênero e a questão de gênero”. Professores: Lilia Guimarães Pougy (ESS) e Pedro Paulo Bicalho (IP e Nepp-DH/UFRJ). Mediação: Maria Niedja, assistente social e ativista da Unegro/Caxias.

4 de outubro: “A violência contra mulheres, gays, lésbicas e transexuais”. Palestrantes: Renata Saavedra (jornalista e doutora pela ECO), Gabi Oliveira, youtuber do canal DePretas; e Indianare Siqueira, ativista e militante trans e idealizadora do projeto PreparaNem. Mediação: Lilian Barbosa, assistente social, pós-graduanda do Nepp-DH e integrante do Coletivo de Mulheres da Escola de Serviço Social da UFRJ, do Coletivo de Negras e Negros da ESS-UFRJ Dona Ivone Lara e do Coletivo de Mulheres Afroindigena Zacimbagaba.

11 de outubro: “Encarceramento e adolescentes em conflito com a lei”. Professores: Eduardo Caon (TV Degase), Lívia Vidal, pedagoga e mestre em Educação, e Marcelo Biar, historiador e professor no Sistema Prisional. Mediação: Vanusa Maria de Melo, professora e mestra em Educação pela PUC-Rio.

25 de outubro: “Comunicação comunitária e outras narrativas”. Palestrantes: Cláudia Santiago Gianotti (jornalista e coordenadora do NPC), Guilherme Pimentel (coordenador do Defezap), Hélio Euclides (jornalista Redes da Maré) e Michel Silva (jornalista do Fala Roça). Mediadora: Thaís Cavalcante, jornalista e co-criadora do Portal Favela em Pauta.

1º de novembro: “Políticas Públicas em Direitos Humanos”. Professor Pedro Paulo Cunca Bocayuva (Nepp/DH).

8 de novembro: Exibição do filme “Nossos mortos têm voz”, produzido pelo Fórum Grita Baixada, Quiprocó Filmes e Rede de Mães e Familiares Vítimas da Violência de Estado da Baixada Fluminense, seguido de roda de conversa com os realizadores.

O curso é realização do Nepp-DH e da Decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), através do edital de Registro Único de Ações de Extensão (RUA) da Pró-Reitoria de Extensão da UFRJ, com o apoio das entidades parceiras Defezap, Fórum Grita Baixada, Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e Redes da Maré.

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