Bombozila: O cinema na luta por direitos 2 135

Bombozila já conta com mais de 400 documentários no catálogo.

No Dia Internacional dos Direitos Humanos, você precisa conhecer a Bombozila, uma plataforma de pouco mais de 3 anos que já reúne mais de 400 documentários produzidos de forma independente. Conhecida como a Netflix das causas sociais, ela tem em seu catálogo o foco na resistência política, além de mobilizações, seja por manutenção ou pela luta em favor dos direitos humanos básicos e muitas outras causas.

A Bombozila nasceu em 2016, em uma iniciativa do cineasta e diretor executivo, Vito Ribeiro, e da comunicadora chilena Sabina Alvarez, após enxergarem em seus trabalhos, segundo o cineasta, a missão de organizar, catalogar e facilitar o acesso à produções independentes, que muitas vezes caem no esquecimento por não contarem com investimentos, mas juntas podem e alcançam impacto social através da construção coletiva desse espaço.

Dessa forma o crescimento veio naturalmente, Vito conta que em pouco tempo a plataforma mudou e chegou onde eles nem podiam imaginar. “Começamos com um catálogo que abarcava os realizadores próximos a nós, das nossas redes, e 3 anos depois recebemos uma média de 20 documentários por semana”, comenta ele.

Nesse sentido, ficou evidente para o diretor a necessidade de uma plataforma que promovesse produções audiovisuais que fizessem pensar, ajudando as pessoas a compreender o cenário político no continente americano.

E se trouxermos a luta por direitos para o contexto mais próximo? Hoje já é possível encontrar na Bombozila, alguns documentários que problematizam a chamada “guerra às drogas”, um termo muito utilizado pela mídia hegemônica, que dialoga e colabora com uma política racista de extermínio da juventude favelada.

No entanto, o cineasta alerta que há também elementos da vida cultural e da música. E que além disso, há uma intenção em trazer cada vez mais o favelado para a plataforma. “Estamos começando a articular uma curadoria que não só tenha a favela como tema, mas também produções feitas por seus próprios moradores”, acrescenta, lembrando que novidades podem aparecer em breve.

Lançamento de Livres no Dia dos Direitos Humanos

Imagem de reprodução de Livres

Também neste dia 10 de dezembro, a Bombozila apresenta a estreia do docu-drama “Livres”, uma produção Chiappini Filmes, dos diretores Patrick Granja e Gilsinho da Maia, e que conta também com Vito Ribeiro na edição. 

Livres aborda temas infelizmente muito presentes também no território das favelas, como racismo, violações de direitos, além de falar de liberdade e sonhos.

Para o agora editor, a produção vem como um referencial para o que defende a Bombozila enquanto coletivo, que é um cinema realizado nas bases do “cine comunitário”. “LIVRES é uma idéia original de 6 egressos do sistema penitenciário que decidiram visibilizar suas vidas na prisão através do cinema. Isso em si já é um projeto inovador. Fazer um docu-drama com baixo orçamento, com o protagonismo de ex-presos não só diante das lentes, mas no processo de concepção. Somos felizes de enfim estrear Livres na Bombozila nesse dia 10 de dezembro em que se destaca o Dia dos Direitos Humanos”, acrescenta.

Falando em sistema carcerário, em julho deste ano, segundo dados do Banco de Monitoramento de Prisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a população carcerária no Brasil atingiu à alarmante marca de 812.564 pessoas. Desse total, 337 mil, o equivalente a 41,5%, são presos provisórios e que aguardam julgamento.

Se formos ainda além, conforme lembrou a agência de notícias Alma Preta, no último levantamento realizado com recorte racial pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), em 2016, consta que a população carcerária é majoritariamente preta ou parda (65%), identificações de cor que formam o grupo racial negro.

É nesse contexto de criminalização e defesa do encarceramento massivo de pobres, que o Diretor Executivo da Bombozila, Vito Ribeiro conclui com um desejo para a estreia de Livres: que seja um grito de crítica e denúncia a esse sistema penitenciário, que pune exclusivamente o pobre.

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