#BrasisPandêmicos: Conheça narrativas de jornalistas da periferia sobre a pandemia 0 653

Jornalistas de periferias das cinco regiões do Brasil lançam plataforma #BrasisPandêmicos, com histórias das periferias na pandemia.

Lançamos hoje, 15 de dezembro, em parceria com o Instituto Marielle Franco e o Twitter Brasil, o #BrasisPandêmicos. Um dos objetivos é apresentar histórias das periferias e de outras territorialidades de existência pelo Brasil no contexto de enfrentamento ao Coronavírus por meio de uma coletânea de textos produzidos por jornalistas, baseados em diferentes favelas e periferias do Brasil, contando histórias que conectam os impactos históricos da desigualdade no contexto da pandemia. “Reunimos cinco jornalistas de cada uma das regiões do Brasil para relatar histórias  de enfrentamento à covid-19 em favelas, periferias, guetos, quilombos e sertões do Brasil. São vozes locais que materializam os sentidos de mobilização e solidariedade”, afirma Daiene Mendes, fundadora do Favela Em Pauta.

São elas e eles: Ariel Bentes, da Zona Leste de Manaus; Eduarda Nunes, da Zona Oeste de Recife; Ludmila Almeida de Goiânia; Lia Soares da Silva, do Rio de Janeiro e Ariel Freitas de Porto Alegre. O projeto surgiu através do Mapa Corona Nas Periferias, plataforma que reúne mais de 500 iniciativas solidárias realizadas nas periferias geográficas ou mesmo para populações periféricas, localizadas em grandes centros urbanos, para mitigar efeitos da pandemia diante da ausência e de ações criminosas por parte do Estado.

Historicamente nas periferias, as respostas e ações dos governos são ineficazes ou tardias e a pandemia de Covid-19 revelou o mesmo cenário apresentado nas narrativas, relatos e percepções dos jornalistas. Essa população foi impactada de forma intensa pelos efeitos diretos e indiretos da pandemia que aprofundaram as desigualdades históricas nas regiões periféricas de todo país. Ao mesmo tempo, movimentos de solidariedade e ação que já existem nestas áreas, foram impulsionados como no caso do mapeamento que identificou 540 coletivos atuando em mais de 100 cidades.

“A partir do mapa, identificamos a necessidade de contar histórias a partir de perspectivas contra hegemônicas, contadas por quem vivenciou as histórias, parte delas ou ao menos esteve próxima a elas. Uma série de reportagens que contam histórias diversas apresentando parte do que foi a pandemia e o contexto histórico das desigualdades a que esses Brasis estão submetidos desde a percepção de construção do Brasil. Seja nas favelas dos morros, nas favelas planas, comunidades ribeirinhas, aldeias indígenas, nos quilombos ou mesmo para comunidades que entendem seus corpos enquanto periferia no contexto social. O valor está na gente que lê, mas também na gente que escreve e constrói esse caminho”, afirma Anielle Franco, diretora do Instituto Marielle Franco.

A proposta do site é apresentar estas histórias e mostrar o quanto o país é diverso. Ou mesmo apresentar que existem no Brasil outras formas de civilização que batem de frente com a visão tradicional do ocidente e se assumem enquanto outro modelo de sociedade, como são os Quilombos. “O grande motor é evidenciar que a coletividade é uma estratégia que organiza as periferias desde sempre. E o jornalismo pode ser a grande ponte para isso a medida que se posiciona não só pelo discurso, mas pelo corpo que sente o chão que pisa e que não só escreve, mas transcreve com responsabilidade, oraliza, conversa, estabelece diálogo, escuta e pede licença aos espaços que adentra”, concluiu Daiene Mendes. 

Navegue pelo mapa em nosso site, e assim, entenda a atuação dos coletivos através dos infográficos. Caso faça parte de algum coletivo ou projeto que atuou durante a pandemia nas periferias, compartilhe sua metodologia com a gente por meio do site www.brasis.org que será um banco de informação sobre os aprendizados obtidos neste tempo de crise e auto-organização.

Serviço:

Lançamento #BrasisPandêmicos
15 de dezembro de 2020, às 10h00
www.brasis.org

Saiba mais em:
https://twitter.com/favelaempauta
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https://www.instagram.com/institutomariellefranco/

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