#CoronaNasPeriferias: coalizão periférica organizada para informar sobre pandemia 1 272

Crianças brincando com máscaras de sacola em periferia da cidade de São Paulo. Foto: Lucas Quinttino

Jornalistas de favelas e periferias em diversos estados do Brasil lançaram, na última semana, uma carta aberta que concentra esforços para informar seus territórios sobre ações relacionadas à prevenção da pandemia da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

O grupo, articulado exclusivamente através de ferramentas online, alerta que medidas adotadas pelos governos federal, estaduais e municipais para conter o avanço da doença não contemplam a realidade dos moradores de favelas e diversas periferias do país.

“Vamos começar pelo básico: lavar as mãos! Esta tem sido uma recomendação amplamente divulgada. Como é possível que isso seja realmente feito a fim de evitar a contaminação se a quebrada e a favela estão sem água. O governo e várias organizações indicam o isolamento social como o principal meio de prevenção da doença. Isso não é permitido à nossa realidade!”, escrevem na carta.


  • Crianças brincando com máscaras de sacola em periferia da cidade de São Paulo. Foto: Lucas Quinttino

Crianças brincam usando máscaras feitas de sacolas plásticas em São Mateus, periferia de São Paulo – SP. Foto: Lucas Quintino.

Confira a íntegra da carta da coalizão periférica:

Estamos diante de uma pandemia. A palavra ainda soa estranha para muita gente e tudo que ela carrega por trás também.

Covid-19, o que todos conhecemos por coronavírus, chegou ao Brasil e seus efeitos são reais. Há infectados, há mortos.

Para conter maiores problemas os governos federal, estadual e municipal – muito timidamente ainda – têm divulgado e estabelecido uma série de ações às quais a população inteira do país precisa se submeter.

No entanto, mais uma vez, as favelas, periferias, guetos, quilombos, sertões e toda população à margem está à mercê da sua própria sorte.

Vamos começar pelo básico: lavar as mãos! Esta tem sido uma recomendação amplamente divulgada. Como é possível que isso seja realmente feito a fim de evitar a contaminação se a quebrada e a favela estão sem água.

O governo e várias organizações indicam o isolamento social como o principal meio de prevenção da doença. Isso não é permitido à nossa realidade!

A periferia é a empregada doméstica, o porteiro, o motorista de app, o entregador, o trabalhador informal que precisa estar no busão e no metrô vendendo seus produtos para levar renda pra dentro de casa ou o comerciante local que não pode suspender suas atividades.

O quanto nossos patrões estão dispostos a seguir os passos que a humanidade pede e permitir que cada um destes profissionais pratique o isolamento e mesmo assim pagar seus salários?

Ficar em casa, se isolar, não pode ser sinônimo de falta de renda. Se for assim, como garantir que a população periférica consiga comprar sequer um álcool em gel para ajudar na prevenção da contaminação? Se o governo vai ajudar os grandes empresários a não quebrar, vai ajudar ao favelado pagar suas contas também? Vai ajudar a senhora que vende guarda-chuva na esquina a não quebrar?

O foco agora é fazer o máximo de esforço para se conter a disseminação da doença. É tentar fazer com que o número de infectados possa ter atendimento hospitalar gradualmente e, ao mesmo tempo, evitar um colapso no Sistema Único de Saúde (SUS), tão negligenciado e abandonado pelo poder público, mas tão necessário e um marco no enfrentamento a tudo que ainda está por vir para conter o Covid-19, o coronavírus. 80% dos usuários do SUS são pretos e pretas.

Diante de tantas recomendações, a periferia – mesmo sendo a mais afetada -, ainda não está conseguindo participar e se informar como realmente precisa. Precisamos saber apontar caminhos que realmente levem as nossas realidades em consideração.

É aí que entramos. Nós, comunicadores periféricos e periféricas de várias partes do país, estamos juntando esforços para colaborar com informações precisas e que realmente consigam alcançar os nossos. Precisamos saber informar nossas crianças, nossos jovens, nossos idosos, nossos pais, mães e familiares. De nós para os nossos!

Assim, lançamos uma coalizão nacional de enfrentamento ao coronavírus através da frente

#CoronaNasPeriferias

Assinam esta carta:

  • Priscilla Castro – Coletivo Nós por Nós (GO)
  • Marcelo Vinícius – Coletivo Duca (DF)
  • Tony Marlon I Campo Limpo, SP
  • Thiago Borges I Periferia em Movimento, Grajaú, SP
  • Thais Siqueira – Desenrola E Não Me Enrola, Jardim Ângela (SP)
  • Ronaldo Matos – Desenrola E Não Me Enrola, Jardim Ângela (SP)
  • Mariana Belmont, Parelheiros, SP
  • Simone Freire -Alma Preta / Preto Império – Brasilândia (SP)
  • Dimas Reis – Preto Império – Brasilândia (SP)
  • Wallace Morais – Vozes das Periferias (SP)
  • Cesar Gouveia – Vozes das Periferias (SP)
  • Antonio Benvindo – Instituto Cultural Coletivo Semifusa/Ribeirão das Neves (MG)
  • Buba Aguiar – Coletivo Fala Akari (RJ)
  • Pedro Stilo – Coletivo pão e tinta / Jornalistas livres (PE)
  • Tainá Oliveira Barral – Na Cuia Produtora Cultural (PA)
  • Kalyne Lima – Vila Manoel Satiro – Jornalistas livres (CE)
  • Ingrid Farias – Brasília Teimosa – Escola Livre de Redução de Danos (PE)
  • Bruno Sousa – The Intercept Brasil – Favela do Jacarezinho (RJ)
  • Pedro Borges – Alma Preta (SP)
  • Raull Santiago – Coletivo Papo Reto (RJ)
  • Gizele Martins – Coletivo MARÉ 0800 (RJ)
  • José Cícero – DiCampana Foto Coletivo (SP)
  • Lucas Barbosa – Usina de Valores (RJ, SP, BA, PE)
  • Marcela Lisboa – Naya\ Usina de Valores (RJ, SP, BA, PE)
  • Francisca Rodrigues – Paraisópolis (SP)
  • Bruna Hercog – CBCOM e Rede ao Redor (BA)
  • Adriana Gerônimo – JBD Lagamar – Fortaleza (CE)
  • Rebeca Motta – Jornal Embarque no Direito – Jd. Ângela ( SP)
  • Rosalvo Neto – Instituto Mídia Étnica / Correio Nagô (BA)
  • Wellington Frazão – Periferia em Foco – Belém do Pará (PA)
  • Gisele Alexandre – Agência Mural de Jornalismo das Periferias (SP)
  • Renato Silva – Favela em Pauta (RJ)
  • Alex Hercog – CBCom (BA)
  • Lucas Abreu Antonio – Jaçanã (SP)
  • Rick Trindade – Itabuna (BA)
  • Clara Bispo – Movimento Pela Paz na Periferia: Família MP3 – Teresina (PI)
  • Riviane Lucena – Embarque no Direito (SP)
  • Jéssica Moreira – Nós, mulheres da periferia (SP)
  • Jefferson Barbosa – PerifaConnection – Voz da Baixada (RJ)
  • Michel Silva – Fala Roça (RJ)
  • Daiene Mendes – Favela em Pauta (RJ)
  • Tiê Vasconcelos – Voz das Comunidades (RJ)
  • Biatriz Santos – Coletivo de Juventude Negra Cara Preta – Camaragibe (PE)
  • Rodrigo Gonçalves Benevenuto – Coletivo Salve Kebrada (SP)
  • Lola Ferreira – Magé, Baixada Fluminense (RJ)
  • Amanda Pinheiro – Fala Roça – Rocinha (Rj)
  • Eloi Leones – data_labe – Rio de Janeiro
  • Marcelo Rocha – São Paulo, na visão dos cria – Mauá (SP)
  • Mirian Fonseca- Lauro de Freitas –
  • CBCOM (BA)
  • Anderson Meneses – Agência Mural de Jornalismo das Periferias (SP)
  • Muller Silva – ONG Interferência (Capão Redondo – SP)
  • Mariana Assis- Voz das Comunidades (RJ)
  • Yane Mendes – Rede Tumulto – Recife (PE)
  • Natália Bezerra – Recife (PE)
  • Taís Sales de Moraes – Cine e Rock – Rio das Pedras (RJ)
  • Walter Oliveira da Silva – Coletivo Jovem Tapajônico – Caranazal, Santarém (PA)
  • Gabriel Santos – Movimento Afronte – Projeto Alternativo para Meninas e Meninos de
  • Rua – Erê – Vila Brejal, Maceió (AL)
  • Jusciane Rocha – Belém (Pa)
  • Naldinho Lourenço – LABirinto Agência Maré (RJ)
  • Aline Rodrigues – Periferia em Movimento (SP)
  • Jessica Ipolito – Revista Afirmativa – Salvador (BA)
  • Anisio Borba – LABirinto Agência Maré (RJ)
  • Lívia Lima – Nós, mulheres da periferia (SP)
  • Enderson Araujo – Mídia Periférica (BA)
  • Juliana Pinho – LABirinto Agência Maré (RJ)
  • Andreza Delgado – Capão Redondo São Paulo
  • Wesley Teixeira – Morro do Sapo na Baixada Fluminense (RJ)
Abraça o papo: apoie o Favela em Pauta

1 Comment

  1. ontem fui fazer Vista em um Cond minha casa minha vida e fiquei preocupada muitas pessoas sentadas e nenhuma preocupação as crianças brincando percebi que eles não estão acreditando o triste é ter que ter um caso próximo para acreditar,o quê fazer?

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