O coronavírus mata, mas a desigualdade social acelera o óbito 3 43

Como bem colocou o repórter Michel Silva, do portal Favela em pauta, as favelas apresentam alta densidade populacional, casas muito próximas e limitações estruturais para garantir o isolamento adequado em caso de contaminação pelo novo coronavírus.

Desde o começo da semana, múltiplos grupos de comunicadores e ativistas periféricos das cinco regiões do Brasil trabalham de forma desenfreada entre videochamadas e centenas e centenas de mensagens em grupos de WhatsApp no esforço de trocar informações e levar para a parcela mais vulnerabilizada da população ações práticas sobre como lidar com a Covid-19.

As autoridades precisam ter especial atenção com as condições sanitárias destes lugares, por conta das nossas limitações estruturais, fruto de várias formas de exclusão social —a necropolítica racista.

Após a infecção, os riscos de adoecimento e morte, segundo a Organização Mundial da Saúde, são maiores para pessoas com hipertensão, diabetes, doenças do coração, doença respiratória crônica e câncer. Algumas destas doenças crônicas são mais frequentes na população negra em comparação com a predominância na população branca, e com o cenário agravado pelas diferenças de classe.

Nós devemos ser os mais atingidos pela explosão que, segundo o Ministério da Saúde, ocorrerá nas próximas duas semanas. Além do saneamento básico precário e da população com pouco acesso à saúde de qualidade, algumas favelas do Rio de Janeiro também estão sem água.

As soluções para a atual pandemia precisam visar o bem-estar de quem não tem todo o suporte necessário para lidar com uma situação como essa, diferentemente da proposta do governador fluminense, Wilson Witzel, que propôs colocar moradores de favelas em navios.

Diariamente os veículos de comunicação tradicionais repercutem as coletivas de imprensa dos governantes —principalmente as televisões, que por vezes dedicam parte considerável da programação às declarações dos políticos.

A idosa isolada em casa em São Miguel Paulista vê mais o João Doria do que os netos, a faxineira de um importante prédio comercial na Faria Lima assiste diariamente Donald Trump anunciar medidas sobre os Estados Unidos e o presidente da OMS (Organização Mundial da Saúde) explicar como a Europa se tornou o epicentro do vírus, mas nenhuma delas sabe qual é a situação dos bairros em que moram.

É nessa lacuna de informação que os veículos independentes e os coletivos que cobrem as periferias deste país têm desempenhado um papel de excelência ao fornecer informação precisa, sem alarmismo e conteúdo de qualidade próximo da realidade das pessoas.

Afinal não é disso que se trata o jornalismo? Interesse público. É de interesse público saber as medidas adotadas pelos governos, mas também é de interesse de boa parte da população compreender quais são as medidas de precaução para quem não pode comprar álcool em gel e não tem água encanada para lavar as mãos constantemente.

Agência Mural ocupa a grade de um importante jornal matutino de uma das principais emissoras do país, com o quadro Giro da Quebrada, onde informa diariamente a situação das UBS, das escolas, das farmácias, do transporte público, justamente nessa tentativa de aproximação. A Ponte Jornalismo não para de denunciar os desmandos do governo paulista, que continua ordenando reintegrações de posse em comunidades periféricas, onde a doença —que chegou ao Brasil pela elite paulistana— pode ter disseminação muito mais intensa.

Estes são alguns dos muitos exemplos de cobertura jornalística responsável que não relega às periferias o esquecimento diante de um fato tão importante da vida pública do país. A pandemia atingiu o Brasil sem prenúncio, testou a capacidade de reação das autoridades e de cobertura responsável dos jornalistas.

O assunto domina o Twitter como principal tema de conversas nas redes —não só conversas como também informação. Os principais órgãos de saúde atualizam informações sobre a pandemia por meio da rede social. O movimento está tão grande que trocas reflexivas têm promovido alertas importantes.

Moradores da Favela do Lixão, em Jardim Gramacho, necessitam de auxílio de ONGs para sobreviver à rotina comum. Renato Silva / Favela em Pauta.

É o que ocorre com a hashtag #COVID19NASFAVELAS, que traz uma realidade desconhecida por quem não vive nas favelas, além de mostrar como as recomendações de saúde não costumam atender a essa população. E como isso tem ajudado a desconstruir recomendações? Comunicadores e ativistas digitais das favelas, com acesso à internet, informação e redes sociais, compartilham suas visões muito bem embasadas em conteúdos de órgãos oficiais a fim de alertar quem não tem o mesmo entendimento ou acesso.

Logo, o que vemos aqui? Um instrumento de conscientização política e reutilização de redes sociais em tempos de crise —não só informar e movimentar mas também desconstruir e unir. A tecnologia é ferramenta para gerar mudança, mas a mudança é humana.

Como o Raull Santiago escreveu, as dicas de prevenção e tentativas de evitar a proliferação da Covid-19 são muito importantes, mas falhas, quando não contemplam a realidade de uma grande parte da população do país. Nesta mesma Folha a galera da Agência Mural frisou como evitar propagar o pânico, enfatizar as verdades sobre a doença e trazer contexto sobre as periferias é fundamental para cumprir nosso papel neste momento.

Na nossa realidade, a quarentena também é um direito negado para moradores de periferia e a parte da população negra. Nosso povo, principalmente os mais velhos, requer cuidados: cancela churrasco, beijo, bodega. Sem perder o afeto, mas se prevenindo. Precisamos nos aquilombar e, ao mesmo tempo, politizar a distribuição desigual de recursos de saúde e saneamento básico.

As políticas públicas, metas e planos que os governos traçam para alcançar o bem-estar da sociedade deveriam ser pensados respeitando o princípio da igualdade. Segundo este princípio as pessoas colocadas em situações diferentes deveriam ser tratadas de forma desigual. Sendo assim, como diria Nery Junior, dar tratamento isonômico às partes significa tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades.

Isso significa que o poder público, com a realidade de recursos limitados ou escassos, devem, ao formular políticas públicas, focar nos grupos mais vulneráveis. Em tempos de crise, essas demandas ficam ainda mais latentes e trazem ao centro do debate o papel do Estado enquanto única esfera capaz de reduzir as desigualdades existentes na sociedade e manter a coesão social.

A omissão do Estado perpetua as estruturas da invisibilidade, e consequentemente, o direito à vida digna, capaz de assegurar a saúde e habitação, garantias essas previstas na Declaração de Direitos e Humanos e Constituição Federal de 1988, entretanto distribuídos de forma excludente nas diversas hierarquias das classes sociais. Territórios invisibilizados apresentam-se como locais de maior vulnerabilidade, sendo alvo de rupturas nos espaços e dinâmicas sociais; entre elas o acesso ao SUS. É dever do Estado estruturar políticas públicas que contemplem as especificidades da população subalternizada, pois o coronavírus mata, mas a desigualdade social acelera o óbito.

O direito a quarentena é excludente, estando os favelados e suburbanos na base da marginalização econômica, sendo o corpo negro coisificado e reconhecido como uma unidade de trabalho lucrativa e suas subjetividades não reconhecidas nos planos de contingências.

Mulheres negras na ocupação de domésticas cuidando de suas empregadoras infectadas, que na correria pela sobrevivência não podem negar o trabalho, são expostas ao vírus —e ao mesmo tempo seu acesso negligenciado à saúde. É necessário medidas emergenciais que efetivamente resguardem essa população, pois a crueldade da escolha entre morrer de vírus ou de fome não deve ser normatizadas.

O mito da democracia racial é escancarado diante de uma pandemia, perpetuando a exclusão de caráter estrutural e estruturante do racismo brasileiro, tendo impacto crucial nas construções de políticas públicas de saúde não equitativas nos planos de contingência.

O vírus chega ao nosso país a partir das altas classes sociais, mas, ao se disseminar pelo território nacional, não prevê as diferentes realidades —especialmente a da população negra. O Estado perpetua sua omissão e se posiciona estrategicamente na negação das mazelas da escravidão e no não combate efetivo aos efeitos das desigualdades que nesse contexto são ainda mais fatais.

Nesse momento, é necessário que as autoridades do país entendam que não basta apenas dar dicas excludentes ou “vouchers” simbólicos. Enquanto o Estado pratica medidas ineficazes, patrões seguem retornando de suas viagens no exterior, mantendo seus empregadxs domésticxs no serviço, ignorando todas as medidas apontadas pelos órgãos de saúde e perpetuando a exploração e desumanização de trabalhadores e famílias em situação de vulnerabilidade social.

Todas as alternativas que tornam viável a promoção da saúde e a contenção do avanço da nova doença passam pela justiça social. Se o tema permanecer distante do radar dos líderes na política nacional, seguiremos os piores exemplos do mundo no combate ao novo coronavírus.


*Colaboraram Jefferson Barbosa, Renato Silva, Nina da Hora, Weslley Galzo, Raull Santiago, Salvino Oliveira, Rene Silva e Joyce Trindade

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3 Comments

  1. Boa tarde. Gostaria de sugerir uma matéria complementar. Tenho visto em algumas redes sociais a confecção de mascaras com garrafas pet. Busquei algumas informações na rede e verifiquei que as citadas mascaras foram utilizadas na china, em virtude do seu baixo custo. Lá eles já utilizaram as máscara em outras epidemias. Nosso povo tem um pouco de vergonha e preconceito.

    Fica minha dica e sugestão de matéria.

    Mascaras improvisadas (Garrafa Pet, Filtro de papel de café, Bojo de sutiã.

    Espero ter contribuido

O dia dos namorados de casais pretos durante a pandemia de Covid-19 0 47

Para uns, uma data comercial para aumentar as vendas de produtos e serviços. Para outros, uma oportunidade de celebrar o amor. A verdade é que boa parte dos casais aproveitam o dia dos namorados, 12 de junho, para comemorar seus relacionamentos. 

Jantar romântico em algum restaurante, aquele presente que o parceiro ou a parceira tanto sonha, ou uma viagem no final de semana. Todos esses são presentes comuns nessa data, mas, a pandemia do novo coronavírus veio de forma inesperada nos colocando em quarentena. Dessa forma, todos (ou quase todos) os planos para o dia dos namorados tiveram que ser reformulados. 

A solidão é uma realidade cruel na vida de muitos pretos e muitas pretas. Mas há também quem encontre o amor e viva uma relação mono racial( relação de dois indivíduos da mesma raça/etnia). 

Mas como será que esses casais pretos vão passar o dia 12 de junho?

O estudante de jornalismo, Renato Rodrigues (27), conheceu sua namorada, Bruna Sousa (22), estudante de design de moda, em uma rede social. Bruna conta que eles estavam assistindo uma transmissão ao vivo de um evento que deveria acontecer presencialmente, mas que devido a pandemia de Covid-19 não foi possível.  “Ele me viu nessa live e logo me seguiu, reagiu a um story que postei e eu respondi de volta. A conversa acabou se desenrolando e desde então nunca mais paramos de conversar”, completa ela. 

O relacionamento dos dois acabou de completar um mês, ou seja, começou enquanto já estávamos em quarentena. Eles confessam que durante esse tempo só se viram pessoalmente uma única vez, e tem sido um tanto quanto difícil manter uma relação que está no começo, apenas por meio virtual. “Olha, é chato no sentido que você quer estar ali com a pessoa, cheirando, conversando, brincando, fazendo coisas juntos”, explica Renato. 

Paciência, atenção e amor são as fórmulas que eles dizem usar para reinventar a relação, já que a vontade de estar juntos fisicamente é grande, mas diante do momento que vivemos, isso não é possível. “Todo dia nos falamos, conversamos de tudo, desde sobre o dia, memes e fofocas. Tentamos manter uma rotina de falar por ligação pelo menos duas a três vezes na semana, pra matar a saudade de ouvir a voz e ver o rostinho um do outro”, confessa Bruna. 

A engenheira metalúrgica, Krishna Alcântara (23), namora o produtor cultural, Rafael Oliveira (23). Os dois se conheceram em um bar, trocaram olhares e depois engataram numa conversa, que acabou não se prolongando por muito tempo. Mas, voltaram a se falar nos dias seguintes e tudo fluiu até que começaram a namorar.

“Acho que não teve um dia que não conversássemos sobre alguma coisa. E sempre foi muito interessante, falávamos sempre sobre assuntos diversos. A partir daí marcamos alguns encontros e fomos ficando cada vez mais juntos. Começamos a namorar em dezembro, pouco mais de um mês depois que nos conhecemos. Mas foi tão natural e acolhedor que não me assustou”, conta a engenheira. 

A pandemia só apresentava duas alternativas para eles: ou ficariam totalmente distantes um do outro, respeitando a quarentena, ou ficariam juntos. E em conjunto decidiram que dividir o mesmo lar seria a melhor escolha.

“Desde o início do nosso namoro tínhamos uma rotina onde ele passava alguns dias na minha casa (eu moro longe do trabalho/casa dele), depois voltava pra casa dele, enfim, essa rotina meio incerta. A quarentena não é um momento fácil, já não podemos estar junto das nossas famílias/amigos, e daí pensamos que ficar longe um do outro seria tão massificante também. Decidimos que ele ficaria comigo durante tudo isso, e também seria um “test-drive” pra uma vida juntos no pós- pandemia”, disse Krishna Alcântara.

Rafael confessa que viver 24h juntos todos os dias da semana não é fácil, independente do tipo de relação. Mas ele e Krishna criaram uma regra de resolver tudo na cama antes de dormir. “Não tem um dia que durmamos brigados. Acho que isso é a mais importante lição que aprendemos na quarentena”, completa. 

A publicitária Ágatha Ferreira (27) e Shirley (por questões profissionais prefere não revelar outras informações) se conheceram, em 2019, na casa de uma amiga em comum. O primeiro beijo aconteceu num samba, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. “De lá para cá não nos desgrudamos mais. Acho que nossa relação começou aí. As coisas foram ficando mais intensas com o tempo e nós cada vez mais próximas”, confessa a publicitária.

Shirley trabalha com grupos em vulnerabilidade, e está exposta ao vírus com frequência, afirma Ágatha. E por esse motivo elas estão há quase dois meses sem se ver. Somente em necessidades extremas (compra de remédios etc) elas tentam marcar algum compromisso próximo uma da outra. “O difícil é que é sem nenhum contato mesmo, só temos a fala, os olhares e muita chamada de vídeo durante todo esse tempo. Essa distância tem sido cruel, mas estamos sendo o mais responsável que é possível; por nós e pelos outros.” completa. 

Planos para o Dia dos Namorados?

Bruna Sousa e Renato Rodrigues planejam comemorar o dia com uma chamada de vídeo e “se amar virtualmente”. Também pretendem um encontro pessoal (mesmo não sendo o recomendado, fica o alerta), no final de semana. A intenção é assistir algumas séries e cozinhar juntos. Bruna fará uma surpresa pro namorado, e entregará uma ilustração deles, feita por ela.

Rafael e Krishna se conheceram em um bar e começaram a namorar no ano passado

O casal Rafael e Krishna, contam que já trocaram presentes antecipadamente, “ela não aguenta esperar”, entrega Rafael. Eles estão trabalhando muito durante a quarentena, e confessam que ter um momento só dos dois tem sido um pouco difícil. “Então decidimos que teremos um dia off de tudo. Vamos preparar uma janta e ver filmes.” Comenta Krishna.

Já Ágatha e Shirley também ficarão juntas através de uma chamada de vídeo. Assistirão juntas há uma transmissão ao vivo do cantor Nando Reis e da dupla AnaVitoria. “E eu vou ler para ela alguns textinhos que fiz e alguns trechos dos dois livros da autora Ryanne Leão “Tudo Nela Brilha e Queima” e “Jamais Peço Desculpas Por Me Derramar”.” 

Para os três casais, o pós pandemia vai ser o momento de estarem mais juntos. Um mês agarradinhos ou uma viagem, é o que eles querem. 

Coletivos da Zona Oeste do Rio organizam vaquinha online para ajudar famílias de periferias 0 56

A União Coletiva pela Zona Oeste atua nos bairros de Sepetiba, Paciência e Santa Cruz distribuindo cestas básicas

Um grupo formado por 16 coletivos criou a União Coletiva pela Zona Oeste, que atende os bairros de Sepetiba, Paciência e Santa Cruz. Juntos, esses territórios  correspondem a 40% da população da região Metropolitana do Rio de Janeiro. Mais de 2.200 cestas já foram distribuídas desde o início da quarentena, em março, como uma das medidas para frear os impactos causados pela covid-19.

Segundo Day Medeiros, 31, idealizadora da rede, o intuito que motivou a formação da União foi porque, separados, os coletivos muito possivelmente não teriam condições de mobilização suficiente para suprir as demandas. “A gente sabe que esse eixo Santa Cruz, Sepetiba e Paciência é super invisibilizado, e que normalmente as coisas que chegam nas favelas do RJ demoram muito para chegar aqui, quando chegam. Aí eu disse: cara, vamos fazer porque não vai chegar, se não for a gente não vai ser ninguém.”

Os coletivos que compõem a União Coletiva pela Zona Oeste são: As Mariamas, Maria Trindade, Piracema, ONG Criar e Transformar, Cultura Zona Oeste, Espaço Cultural A Era do Rádio,  Projeto Esperança para Uma Criança de Vila Paciência, Plataforma Casa, Centro Cultural Çape- Typa, E.Coletivo, Pepuc de Vila Paciência, Movimento Territórios Diversos, Mulheres de Pedra, Nós e CIjoga, Costurart. 

Até antes da pandemia nenhum deles trabalhava diretamente com assistência social; todos pautavam atividades culturais e de educação nos locais em que atuam. Aproveitaram, no entanto, o cadastro dos participantes, mapearam quem estaria precisando de ajuda e encontraram 3.300 famílias em situação de vulnerabilidade social. 

O principal objetivo da União é acompanhar as famílias que recebem as cestas e fazer reposição. O grupo entende que é necessário dar assistência continuada, garantindo, ao menos, a alimentação das pessoas. De acordo com a Day, 90% dos atendidos são trabalhadores informais, que consequentemente tiveram queda no rendimento dado à pandemia. 

As cestas são distribuídas pelos  integrantes da União e obedece à principal decisão tomada pelo time: não fazer aglomeração. Assim, é distribuído uma senha com horário em algum ponto de encontro ou as cestas são entregues diretamente na casa de quem a solicitou. Day Medeiros aponta que, muitas vezes, as pessoas se esquecem que é importante fazer doações também pensando nos gastos com locomoção e itens de segurança da equipe.

A professora de Artes está atualmente desempregada assim como todos os voluntários da campanha. Não há como contribuir a partir de fundos próprios porque não existe. Ela conta que, apesar da situação dramática e de não saber como fará para pagar as contas no fim do mês, fica ligeiramente feliz por ajudar, mas critica os colegas que dizem compreender sua realidade. “Uma coisa é você trabalhar sendo assalariado e estar com mil coisa na cabeça, outra coisa é você estar com mil coisas na cabeça e não ter dinheiro para pagar a internet do celular.”

A idealizadora da União lamenta, não ter caixa suficiente para junho.  Em abril, a União conseguiu um financiamento pela Benfeitoria, mas o dinheiro que restou não compra 20 cestas e a demanda dos territórios é grande. Um dos principais desafios se dá porque os coletivos não têm regulamentação, dificultando a inscrição em editais filantrópicos. 

Para doar, basta fazer uma doação no site Vaka.me/961641 ou entrar em contato com as páginas no Facebook e Instagram da União.

*Foto destaque de União Coletiva pela Zona Oeste

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