Das quebradas de SP: Coruja BC1 lança novo trabalho escrito em apenas um dia 0 232

“A música é o meu escudo ao mesmo tempo que é a minha espada”, diz rapper Coruja BC1.

“Antes do Álbum” é o mais recente trabalho do rapper Gustavo Vinicius Gomes, mais conhecido como Coruja BC1. O nome não foi escolhido à toa, segundo o cantor, lançar um EP não estava em seus planos para o ano de 2020. A ideia, como de costume, seria lançar singles e clipes no primeiro semestre, e um álbum no segundo semestre. Mas diante da pandemia do novo coronavírus, onde a recomendação é o isolamento social, Coruja decidiu usar o tempo que está em casa para produzir o EP.  

“Eu tinha pensado talvez em fazer uma mixtape e soltar na rua, eu tava muito focado mesmo no Brasil Futurista [nome do próximo disco], mas como aconteceu a pandemia, eu acabei atrasando as gravações. Porque o disco, é um disco instrumentado então eu preciso de mais gente dentro do estúdio”.

Artes de divulgação oficial por Della Torres.

Para o artista, sua criação reflete muito na sua vida, isso faz com que Gustavo e Coruja estejam ligados 24 horas. “O Coruja é totalmente dependente da energia do Gustavo, de como o Gustavo está espiritualmente, mentalmente e fisicamente também”.

Fazer um EP em meio à uma pandemia foi a forma como o cantor encontrou para continuar sendo produtivo, já que não é possível realizar shows, nem dar continuidade à gravação do seu disco. Por outro lado, para ele, também é uma forma para desabafar e encontrar mais uma vez na música uma forma de se apoiar e se manter firme.  “Eu acho que a música veio de encontro com minha vida desde criança, é o meu escudo, ao mesmo tempo que é a minha espada.” 

Nascido na periferia de Osasco, Coruja sempre teve a cultura nordestina presente em sua vida, ele é filho de Nordestinos. E foi do avô pernambucano, que a cultura do repente foi introduzida na sua trajetória.  O repente, que é a forma oral da literatura de cordel, surgiu no Estado da Paraíba, se desenvolveu em Pernambuco e no Rio Grande do Norte, e hoje é popular em toda a região Nordeste. Os cantores, chamados de repentistas ou cantadores, fazem uma improvisação de versos sobre os mais diversos assuntos.  

“Ele que trouxe essa cultura do repente, eu acho que ela ainda se faz presente na minha estrutura de música, muito na forma de cadenciar a música, de estruturar a música, os flows, as técnicas de respiração mais acelerada, eu acho ainda que são técnicas que vem dessa influência de infância tanto do repente quanto do samba, porque meu avô que me apresentou o repente foi o mesmo que me apresentou o samba, e ele queria que eu fosse sambista…” 

O PROCESSO DE GRAVAÇÃO DO EP

As faixas do EP foram todas escritas por Coruja em um único dia. Ele enxergou a oportunidade como um autodesafio,  já que para ele, durante um tempo de sua vida, tirar do papel todas as ideias que tinha não era um processo fácil.

“Foi aí que eu escrevi o ‘Antes do Álbum’. Enquanto artista eu tô muito focado nisso, em sair da minha zona de conforto, em fazer coisas que me motivam a evoluir, e me desafiam artisticamente falando, eu sinto essa necessidade…”

O processo de gravação desse trabalho foi diferente do habitual. Coruja costuma acompanhar a gravação de todos os artistas que ele convida, assim como a mixagem e masterização das faixas. Como não foi possível, tudo foi feito à distância. Para o cantor, o processo teve uma sensação experimental, já que não há certezas sobre a duração da quarentena, e que ainda assim, os trabalhos precisam ser mantidos, preservando sempre a saúde de todos os envolvidos. 

Musicalmente falando, o EP tem muita influência de artistas do Rap que são referências para Coruja. Sobre os temas, o rapper fala que tentou narrar suas vivências nos quatro primeiros meses de 2020, assim como outros temas que são recorrentes entre conversas com amigos, como afetividade, fé, sociedade e problemas sociais.

Segundo o cantor, as três primeiras faixas do EP representam três tempos da vida dele. A faixa “Ícaro” é sobre seu passado. “Baby Girl” retrata seu presente. Já “Som de Fazer Pivete” relata os seus planos para o futuro. 

“Eu fiz uma narrativa de três espaços de tempo, falando de afetividade de diferentes formas, acho que é uma curiosidade sobre o disco, é o primeiro projeto que eu gravo no meu Home Studio [estúdio em casa], então foi bem foda pra mim, bem emocionante também, que é uma parada que eu sempre quis ter, um estúdio dentro de casa.  Eu vi todos os meus amigos do Rap da minha época comprar um carro, e eu peguei e montei o meu estúdio, isso pra mim é uma realização muito grande”.

Você encontra o EP “Antes do Álbum” nas plataformas digitais.

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