#CaiuNaRede: É falso que assintomáticos não transmitem a Covid-19 e que maioria reage como se fosse um ‘resfriado comum’ 0 30

Circula nas redes sociais a informação de que a Organização Mundial da Saúde (OMS) teria admitido que assintomáticos não transmitem a Covid-19 e que estudos teriam comprovado que 80% da população é imune à doença porque o sistema imunológico reage como se fosse um “resfriado comum”. O material foi analisado no Caiu na rede: é fake?. Confira:

“OMS admitindo que assintomáticos não transmitem e agora descobrimos que 80% da população é imune porque o sistema imunológico consegue reagir ao covid19 como se fosse um “resfriado comum”. Que dia!”
Tuíte do dia 21 de setembro citando estudo postado anteriormente pelo presidente Jair Bolsonaro e desmentido por verificadores independentes

FALSO

A informação é falsa. Ela se baseia em uma interpretação equivocada de uma afirmação da chefe do programa de emergências da OMS, a epidemiologista Maria van Kerkhove. Em coletiva de imprensa em junho, ela declarou que transmissões de Covid-19 por pacientes assintomáticos parecem ser “raras”. Contudo, ela não disse que esses pacientes não têm potencial de infectar outras pessoas. A OMS, posteriormente, esclareceu que essas transmissões são menos comuns, mas não são impossíveis.

Sobre a afirmação de que 80% da população é  imune porque o sistema imunológico reage como a um “resfriado comum”, não há estudos que apontem nessa direção, nem mesmo o link citado no tuíte. Nele, o professor Karl Friston, que se dedica a compreender processos biológicos complexos e dinâmicos, afirma que “o alemão médio tem menos probabilidade de ser infectado e morrer do que o britânico médio”, ou seja, nem todas as pessoas são suscetíveis ao coronavírus. No entanto, o professor não afirma, em momento algum, que 80% da população seja imune à Covid-19.

Nota da redação: o projeto Caiu na rede: é fake? é uma parceria da Agência Lupa com Voz das Comunidades e Favela em Pauta e conta com o apoio da Fundação Heinrich Böll Brasil.

Editado por: Marcela Duarte

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