Favela em Pauta 3.0: Um caminho possível que nos negaram um dia 0 403

Equipe do Favela em Pauta inicia cobertura a nível nacional da resposta solidária das periferias ao novo coronavírus.

O Favela em Pauta está entrando em um novo momento, uma nova realidade. Estamos realizando alto, por que sonhar já nos foi permitido graças aos nossos mais velhos, que batalharam e abdicaram tanto para proporcionar o que muitos dizem ser “a vida que não tivemos”. No mês de setembro demos partida na materialização de um sonho: realizar cobertura nacional do que acontece nas mais diversas periferias do nosso país.

“É necessário sempre acreditar que o sonho é possível
Que o céu é o limite e você, truta, é imbatível” – A Vida É Desafio, Racionais MC’s.

Não é nenhum absurdo dizer que um sonho está se materializando durante uma pandemia, quando vemos todo dia a desigualdade cada vez mais visível, seja pelo vírus ou pelo Estado igualmente mortal. A potência da favela sempre se sobrepõe às dificuldades. E é dessa potência é que surge a ideia de juntar profissionais de comunicação de diferentes lugares do Brasil para comunicar sobre periferias a partir delas.  

De imediato, alertamos que a favela não quer “parabéns” de políticos pelas ações solidárias realizadas, e em seguida lançamos o #MapaCoronaNasPeriferias, que nasce com a função de evidenciar uma rede de solidariedade que emerge das periferias. Onde cada veículo de comunicação comunitária e movimento social baseado nesses territórios enxerga e assume frequentemente a responsabilidade em ser solidário. Mais do que isso, decidimos cumprir um sonho compartilhado pela cofundadora Daiene Mendes e que permeia nossa atuação: pautar nossa própria existência enquanto jornalistas periféricos.

“Que mais pobres e pretos narrem suas próprias histórias. Não seremos pauta, nós pautamos a nossa existência! Favela em Pauta”

Daiene Mendes.

A partir do #MapaCoronaNasPeriferias, somamos à equipe base do Favela em Pauta com a formação de uma equipe com cinco jornalistas localizados em periferias das cinco regiões do Brasil. Essa é a nossa forma de enxergar o jornalismo profissional, produzido por quem vivencia e dialoga com a realidade reportada.

Ariel Bentes, jornalista da Zona Leste de Manaus, fala com alegria sobre integrar a equipe do Favela em Pauta a partir desse projeto. “É uma grande oportunidade de diversificarmos as narrativas. Temos profissionais de todas as regiões do Brasil e é incrível aprender todos os dias sobre as suas vivências! Eu acredito que estamos unindo forças para contar histórias das mais diversas periferias para o mundo. Isso é muito importante”, comenta.

Hoje o Favela em Pauta conta com os profissionais Daiene Mendes e Michel Silva, jornalistas cofundadores do portal. A equipe base, formada pelos jornalistas: Gabi Coelho, Renato Silva, Mariana Assis, Lia Soares e Lethícia Amâncio. E também os novos profissionais que chegam através do projeto #MapaCoronaNasPeriferias: Ariel Bentes, Ariel Freitas, Dandara Franco, Eduarda Nunes e Ludmila Almeida.

Conheça, siga e fortaleça o trabalho de cada um desses profissionais:


Daiene Mendes é jornalista, comunicadora do Complexo do Alemão, cofundadora do portal Favela em Pauta, fundadora do projeto FaveLê, Consultora de comunicação estratégica e engajamento de redes sociais na WITNESS e Fellow do The Ford Global Fellowship. Foi repórter no Voz das Comunidades e atuou como correspondente do The Guardian durante os Jogos Olímpicos do Rio, relatando o impacto do evento na vida das favelas. Também foi responsável pela organização de um curso de Jornalismo de Dados junto à ABRAJI para comunicadores de favela e foi estagiária na área de Comunicação & Campanhas da Anistia Internacional Brasil. Ainda idealizou e ajudou a pavimentar o processo de construção do projeto #MapaCoronaNasPeriferias.




Michel Silva, 26 anos, é jornalista, nascido e criado na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Adora circular por favelas da cidade para fazer redes e adquirir conhecimentos e experiências. Ajudou a fundar o jornal Fala Roça, na Rocinha, com versão impressa e digital. Em 2017, atuou como correspondente local do The Guardian, da Inglaterra, para cobrir assuntos sobre o legado dos Jogos Olímpicos para as favelas cariocas. A partir dessa experiência, também participou da fundação do Favela em Pauta.

Gabi Coelho é jornalista, editora no Favela em Pauta. Também trabalha no Estadão Verifica, núcleo de checagem do jornal Estadão. É co-fundadora da Elas Conduzem, iniciativa social com foco em mulheres. Coordenou projetos especiais no jornal Voz das Comunidades, trabalhou na Rede Globo e como colunista na revista Carta Capital e no portal Ponte Jornalismo.


Renato Silva é jornalista, editor no projeto #MapaCoronaNasPeriferias, do Favela em Pauta. Atua como jornalista e fotojornalista voluntário no jornal comunitário Voz da Baixada, em Duque de Caxias, cidade onde nasceu, cresceu e vive até hoje.

Mariana Assis é jornalista, nascida e criada em Mangaratiba, no RJ, vive em Minas Gerais para conciliar vida profissional e estudos. Também é pesquisadora, com foco em representação de meninas negras em desenhos animados.

Lethicia Amâncio é jornalista, moradora do Complexo da Pedreira, na zona norte do Rio, com domínio adicional em Estudos Latino-Americanos. A Leth é a que viaja na hora de comunicar e faz de tudo para que o conteúdo nunca fique dentro de caixas estabelecidas pelo jornalismo tradicional. Ela é nossa jornalista multimídia e está sempre em busca da melhor forma de transmitir informação de maneira fácil, inclusiva e didática.

Dandara Franco, 22 anos,  é jornalista, moradora da Baixada Fluminense e antirracista. Acredita no poder de transformação que a comunicação possui, principalmente para impulsionar projetos que são capazes de fazer a diferença nas diversas realidades do país.

Ariel Bentes, nascida e criada na Zona Leste de Manaus e no interior do Amazonas. Tem 22 anos, é jornalista, colaboradora do Atlas da Notícia e integrante do Centro Popular do Audiovisual do Amazonas, onde realizava antes da pandemia oficinas e eventos sobre internet e segurança digital. Hoje integra a equipe do #MapaCoronaNasPeriferias, comunicando sobre a resposta da periferia nortista à pandemia.
 

Eduarda Nunes vem das periferias da zona oeste de Recife (Pernambuco), é jornalista, atua pelo Movimento Negro a partir da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e Coletivo Afronte. Hoje integra a equipe do #MapaCoronaNasPeriferias, comunicando sobre a resposta da periferia nordestina à pandemia.

Mulher preta, goiana, periférica e guardiã do pequi, assim se define Ludmila Almeida. Jornalista do Cerrado a procura das histórias insurgentes. Integrante do Coletivo Magnífica Mundi. Pesquisadora no Obiah – Grupo Transdisciplinar de Estudos Interculturais Decoloniais da Linguagem e na Gira Leodegária de Jesus – UFG. Também é pós-graduanda em Letras e linguística pela Universidade Federal de Goiás. Hoje integra a equipe do #MapaCoronaNasPeriferias, comunicando sobre a resposta da periferia do centro-oeste brasileiro à pandemia.

Lia Soares da Silva, 26 anos, mulher, transsexual e preta. Jornalista com experiências em trabalhos com mídias periféricas (Voz das Comunidades) e tradicionais. Estudante de Letras, com pesquisa ativa dentro da Linguística Aplicada e Análise do Discurso (NUDES-UFRJ). Hoje integra a equipe do #MapaCoronaNasPeriferias, comunicando sobre a resposta do periferia no sudeste brasileiro à pandemia.

Ariel Freitas é jornalista, escritor, rapper e ativista. Criado nos becos estreitos da Vila Estrutural e pelas esquinas do Morro Santana, ambos localizados na zona norte de Porto Alegre. Aos 16 anos, era campeão de freestyle na maior batalha do estado do Rio Grande do Sul, a famosa Batalha do Mercado. Hoje integra a equipe do #MapaCoronaNasPeriferias, comunicando sobre a resposta da periferia sulista à pandemia.

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