Lúcia Cabral: a mulher que dedica a vida a serviço da favela 1 26

Foto: Andressa Núbia

Lucia Cabral no RG, mas para os filhos do Complexo do Alemão é Tia Lucia mesmo. Ela que desde pequena queria mudar realidades, aos 51 anos se vê dirigindo o Educap — Espaço Democrático De União, Convivência, Aprendizagem e Prevenção no Complexo do Alemão e buscando novas parcerias para ampliar o alcance do seu trabalho.

Se a gente trabalha em rede dentro da favela, a gente é mais potente que lá fora”

Lúcia carrega em sua trajetória memórias de ações e realizações à serviço da comunidade. E durante a conversa aproveita para repetir a frase que ouvia de seu pai: “a gente cresce para lutar contra a desigualdade”. Tantas memórias, diz ela, “não me trazem revolta de violência, mas uma revolta de resistência” para lutar contra as desigualdades. “Não dá para aceitar e crescer aceitando toda essa carga que jogam para dentro da favela. Até porque a pobreza gera grana para quem está lá em cima no patamar mais alto”, afirma.

Tia Lúcia nutre um amor profundo pelo Complexo do Alemão por ele ter sido o lugar que acolheu sua família e ela quando criança. O lugar que seus irmãos nasceram, que ela constituiu família e onde tem todas as memórias de infância. “Eu cresci no funk. Olha, eu casei com o meu marido e conheci ele no baile funk”, lembra. Ela é capaz de mencionar datas, ruas, nomes e pessoas que passaram pelo Alemão. Seus olhos brilham a lembrar do Baile da Paranhos, Folia de Reis, as quermesses, o Bloco do Pereira e toda vida cultural que a cercou na infância e adolescência. Talvez esta seja sua força motriz. Ver o Alemão grande de novo, mesmo quando o mundo insiste em afirmar o contrário. “O governo parece que trabalha para destruir na cultura da favela”, questiona.

nome favela não é sinônimo de coisa ruim. Ela é a natureza, o meio ambiente. Ela é a clorofila que nos dá vida. E por que enxergam ela como sinônimo de coisa ruim?”

Uma coisa é certa. Se o governo trabalha para destruir, Lucia emana vida por todos os lados. Já dirigiu creche, quadra de escola, deu aula para crianças e adultos, gerenciou bar, cinema e até movimentou campanha de prevenção no baile. Desde 2008 está a frente do EDUCAP e a cada dia busca se renovar e atentar para o futuro que a favela aponta.

Porque essa tecnologia, que é a tecnologia humana junto com a tecnologia da máquina faz girar histórias, girar o crescimento e o empreendedorismo”

Se fora de cada ela é quem cuida e acolhe aqueles que precisam, em casa ela é cuidada pelo Marcos, seu marido. “Ele faz massagem nos meus pés quando eu chego muito cansada e cozinha para mim”, conta. Sua família permanece sendo sua principal base de sustentação e amor. Além do bom humor e do jeito leve de levar a vida, ainda que num contexto de morte, é o que a ajuda a não cair em depressão.

A conversa se encerra com Lúcia nos convocando a construir para além do que a geração dela foi capaz de construir. “A estrada vai indo e crescendo. Quem fica vai construir.”. E completa, “eu acho acho que a gente tem que enxergar o futuro com todo mundo junto. Com a família da favela bem sucedida, feliz e alegre e com essa potência valorizada mundialmente”. Por essas e outras que, pra ela, chamar de tia não é problema. Todo mundo aqui acaba sendo um pouco da família.

*Publicado originalmente na Agência Naya e escrito por Marcela Lisboa e Thamyra Thâmara. A foto de capa é de Andressa Núbia. A maquiagem é de Sylvia Vitoriano e os acessórios são da Banga Artesanato. O artigo faz parte da comemoração ao Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha.

#MarçoPorMarielle começa com inauguração da Casa Marielle 0 18

Inauguração Casa Marielle

Há poucos dias do Dia Internacional da Mulher (8/3), o Instituto Marielle Franco inaugurou no dia 1/3, a Casa Marielle, no Largo de São Francisco da Prainha, na Saúde, região central do Rio. O espaço é uma iniciativa da família de Marielle Franco através de uma campanha de financiamento coletivo lançada pelo instituto. Mais de 5 mil pessoas apreciaram a abertura da casa sendo recepcionadas por um cortejo carnavalesco.

A tag #MarçoPorMarielle representa um mês de luta para cobrar por quase 2 anos sem respostas sobre porquê e quem mandou matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. O instituto está mapeando indivíduos e coletivos interessados em realizar ações por um país mais justo e um futuro diferente para as próximas gerações. É possível cadastrar seu coletivo clicando aqui. Em breve será lançado um mapa com todas as ações que ocorrerão em março pelo mundo inteiro.

O mês de março é de luta das mulheres e da família de Marielle, mas quem esteve presente no evento de domingo ou pôde acompanhar pela internet, viu que foi um primeiro de março recheado de amor para celebrar a memória e o legado da vereadora. A celebração recebeu diversos artistas e teve início às 15h30 e ocorreu até o fim da noite de domingo. Mesmo horário da exposição permanente do acervo pessoal e político da vereadora que está aberta à visitação.

Muitas pessoas registraram nas redes sociais momentos que transmitem a emoção e a grandeza que a Casa e o legado de Marielle representam. A exemplo disso, no tuíte abaixo dá pra sentir o momento que o cortejo chega ao Largo São Francisco da Prainha, 58, endereço da Casa Marielle na Saúde, Centro do Rio. O instituto aproveitou o momento para arrecadar alimentos para famílias atingidas pelas fortes chuvas e falta de investimento público na prevenção de enchentes na cidade.

A abertura da Casa Marielle é a primeira etapa de cinco, todas detalhadas na campanha de financiamento coletivo do Instituto Marielle Franco. A campanha ainda corre e precisa de apoio para possibilitar realizações ainda maiores, como fortalecer jovens negras, LGBTs e periféricas de todo o Brasil, através da Escola Marielles, orientando essas mulheres para lidarem com os desafios da luta por uma sociedade mais justa e menos desigual. Para doar basta acessar o site https://www.apoie.institutomariellefranco.org/.

Abraça o papo: apoie o Favela em Pauta



Texto: Renato Silva / Edição: Michel Silva / Foto: Mayara Donaria

[URGENTE] Raull Santiago é agredido por policiais do choque na Avenida Brasil 1 38

O comunicador e midiativista Raull Santiago acaba de ser agredido em uma bliz de policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar-RJ na noite desta quarta-feira (19) enquanto se dirigia para casa de sua mãe para comemorar o próprio aniversário. Raull estava na companhia de Lana Souza, cofundadora do Coletivo Papo Reto, Thiago Purificação e Ricardo Fernandes, que havia sido abordado inicialmente.

Enquanto Ricardo era abordado e sofria de abuso policial, quando o agente de segurança acessava indevidamente seu telefone celular, Raull Santiago resolveu transmitir a ação através de seu perfil no Twitter.

No decorrer da transmissão, Raull tenta intervir ao identificar o abuso e outro agente vem em sua direção, solicita o documento de identidade e ao perceber que está sendo filmado o agride, tomando seu aparelho celular e interrompendo violentamente a transmissão ao vivo.

Após alguns minutos de tentativa de acalmar a situação e evitar o pior em uma situação de abuso, ambos foram conduzidos para a 21° DP de Bonsucesso.

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