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mulheres negras

Instituto Marielle Franco, Mulheres Negras Decidem e organizações promovem encontro de lideranças com a vice-presidenta da Colômbia, Francia Márquez.

Francia Márquez, primeira mulher e pessoa negra eleita vice-presidenta da Colômbia, visitou o Brasil entre 26 e 28 de julho para encontros com lideranças políticas, reforçando as candidaturas do campo democrático e popular, com foco na representação negra e feminina.

Francia Marquez está em um giro na América Latina, dialogando com líderes do campo socialista. Ela é natural de Suárez, região Norte do departamento de Cauca,  território colombiano, muito afetado pela mineração. Em 2014, foi  desterritorializada e expulsa de sua terra, quando teve sua vida ameaçada depois de liderar sua comunidade em  atos públicos e incidências de luta contra a mineração ilegal e destruição ambiental.

Considerando sua condição de pessoa “desplazada” (sem terra, sem lugar) pela violência das armas e demais conexões políticas,  Francia foi inserida no diálogo entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e as delegações do governo  para construir  o acordo de paz entre o governo de Juan Manuel Santos e os guerrilheiros.

Há poucos dias de sua posse, no governo liderado por Gustavo Petro, a líder se reuniu com Luís Inácio Lula da Silva, em São Paulo, no dia 26 de julho. Na pauta, a cooperação latino-americana e o fortalecimento da UNASUL – União das Nações Sul-americanas,  apontando para a cooperação  econômica, a superação da pobreza e das desigualdades, a visão de bloco na região sub-continental.  

A UNASUL, criada em 2008, representou o aprimoramento do Mercosul, com os fins de integração política entre os países da América latina, definindo inclusive a padronização de posicionamentos internacionais do bloco. A organização foi paralisada com  a eleição  de presidentes de direita ao poder no Brasil, na Argentina,  e no Chile.

Mulheres Negras
Lideranças negras de vários lugares do país. Foto: May Donaria/Instituto Marielle Franco.

Ao se reunir com ex-ministras dos governos do PT, no mesmo dia 26, Francia discutiu políticas antirracistas e afirmativas implantadas pelo PT, programas de segurança alimentar e combate à fome. A garantia e proteção aos direitos das mulheres, das crianças e dos adolescentes.

Marquéz esteve reunida, no dia 27 de julho, com lideranças femininas negras. Entre as convidadas para encontro estavam figuras emblemáticas da política nacional, como as Deputadas Federal Benedita da Silva (PT/RJ), Talíria Petrone (PSOL/RJ), Áurea Carolina (PSOL/MG), as ativistas, Anielle Franco, diretora executiva do Instituto Marielle Franco e a intelectual Sueli Carneiro. 

Além de pré-candidatas a Deputada Estadual como Lucilene Kalunga (PSB/GO), Rosalina Santos (PT/PI), Carmen Silva (PT/SP) e da socióloga e pré-candidata a Deputada Federal Vilma Reis (PT/BA). O encontro de lideranças foi realizado pelo Instituto Marielle Franco, Instituto Ibirapitanga, Mulheres Negras Decidem, Instituto Alziras, Instituto Peregum e Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, em ação conjunta. 

Durante o evento, Marquéz destacou em seu pronunciamento que “mudar a fotografia do poder e ampliar representatividade é só uma parte da nossa tarefa”, mas que o principal é pensar que “não é sobre uma, mas sobre todas”, onde o projeto é “a defesa da Casa Comum, essa sim a verdadeira casa grande, o planeta. E defender a vida humana, superando a brutalidade do capital e a desumanidade de governos chefiados por homens brancos, que definem quem pode viver e quem deve morrer”.

Destacou a líder que os desafios da América Latina serão superados somente quando incluírem as mulheres negras e pobres, na qualidade de protagonistas. E que “a política a ser exercida pelas mulheres negras deve ser disruptiva em relação ao modelo hegemônico, branco e masculino. Produzindo a potência de mudança da política do amor e do bem viver.”

A internacionalização da luta antirracista e as alianças amefricanas são aspectos que Francia destaca no avanço de governos populares e de esquerda na América Latina.

Presente no encontro com Márquez, a pré-candidata a deputada estadual de Goiás, Lucilene Kalunga, destacou que o acúmulo político trazido pela vice-presidenta é resultado coletivo da comunidade negra colombiana e demonstra que “é possível, sim, ocupar espaços na política institucional, com os símbolos e signos da cultura negra, e com as pautas socioambientais que confrontam o modelo do capital que destrói o meio ambiente.”

Por se tratar de visita extra-oficial, a assessoria de imprensa da vice-presidenta informou que ela não se encontrará com o presidente do Brasil.

Foto de destaque: Janira Sodré, do Coletivo Pretas de Angola | Edição: Renato Silva e Ludmila Almeida

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