Raull Santiago: “Com pandemia, se você é da favela, é muito pior” 9 266

A pandemia do Corona vírus atinge as pessoas de diferentes formas. Levando em consideração que o Brasil é um país desigual, violento e que exclui a realidade da juventude nas favelas, periferias e juventude negra, vou explicar algumas realidades que afetam a favela.

Duas das principais dicas de contenção e prevenção de proliferação do covid-19 são: 1) lavar bem as mãos várias vezes, 2) usar álcool gel.

Essas duas informações obviamente são importantes, mas simplesmente exclui muita gente. E isso é grave!

Isso por que aqui na favela só cai água duas vezes na semana. Nós economizamos água não só por consciência, mas também por sobrevivência. Lavar a mão o tempo inteiro, não é uma possibilidade. Ah, na minha casa são seis pessoas. Ainda lutamos pelo direito a água aqui.

E a situação do álcool gel: Além da ação desumana de pessoas que estão aumentando e muito o valor do produto, mesmo que no valor normal, é um gasto extra, não previsto. É um país desigual e isso impacta muito.

Quarentena aqui é impossível. Pega essa foto aqui da minha janela. É parede com parede, tem casa de dois cômodos com seis pessoas morando. Como faz? Qual o caminho? Para onde seguir com essas dicas de prevenção?

Vista da janela de Raull no Complexo do Alemão. Foto: Arquivo pessoal/Raull Santiago.

Ou seja, as dicas de prevenção e tentativas de evitar a proliferação do covid-19 são muito importantes, mas falhas, quando não contemplam a realidade de uma grande parte da população do país. Não nos levar em consideração é perpetuar as violências históricas.

Por isso, com pandemia e tudo, se você é da favela, da periferia, juventude negra, é muito pior pra nós que acumulamos as desigualdades e violências históricas onde nem água pra lavar as mãos, o dinheiro para o álcool gel ou possibilidades de isolamento em nossas moradias temos.

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