Fórum Grita Baixada lança o II Boletim Racismo e Violência na Baixada Fluminense 0

O Fórum Grita Baixada lança o segundo boletim, em série, que traz narrativas e informações a respeito dos impactos da violência de Estado na região. Como parte da contribuição para uma reflexão crítica acerca do Mês da Consciência Negra, o conteúdo da publicação se concentra em denunciar o assassinato de crianças e adolescentes negros e periféricos, através de fontes produtoras de dados e depoimentos de jovens e de militantes dos territórios da BXD.

Tudo isso, baseado na compreensão de uma série de contrastes que representa a Baixada Fluminense, uma análise em relação à violência, crime, pobreza, subalternidade e desenvolvimento, entre outras questões.

O Fórum Grita Baixada é um movimento social, constituído por uma rede de organizações e pessoas da sociedade civil articuladas em prol de iniciativas voltadas aos direitos humanos, justiça e a uma política de segurança pública cidadã para a Baixada Fluminense.

De acordo com dados do Fogo Cruzado (2021), coletados entre 2017 e 12 de outubro desse ano, a Baixada Fluminense concentrou 25% do total de crianças baleadas na Região Metropolitana do Rio, sendo a segunda região do Grande Rio com mais vítimas menores de 12 anos. Duque de Caxias, onde as primas Emily e Rebecca foram mortas, é o município que, em 5 anos, teve o maior número de crianças vítimas da violência armada: foram 11 vítimas.

“Dentre as inúmeras sensações que nos desperta a Baixada Fluminense, talvez a mais contundente delas, na atualidade, seja a da violência. A gente costuma dizer que a Baixada é uma terra violentada e, nesse sentido, as narrativas contidas nesse segundo boletim não nos deixam mentir: são crianças e jovens sendo assassinados por um estado que deveria garantir segurança e vida. São crianças e jovens negros amedrontados com uma violência real de um estado que mata cotidianamente e nem ao menos se responsabiliza”, explica Lorene Maia, articuladora de territórios do Fórum Grita Baixada, autora do II Boletim, junto com o coordenador executivo do FGB, Adriano de Araujo. E ela ainda complementa:

“Nesse segundo boletim quisemos nos debruçar sobre a voz de quem sofre essas violações: jovens, crianças, mães e familiares que tiveram seus filhos assassinados. Contar a história pelo lado que mais nos interessa, o de quem vive na Baixada entre o Racismo e a violência de Estado”, diz Lorene.

A segunda edição do “Boletim Racismo e Violência da Baixada Fluminense” também traz depoimentos de militantes históricas de Direitos Humanos da região, como Luciene Silva, da Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência na Baixada Fluminense.

“Recebemos uma variedade de demandas que se manifestam pela falta de políticas públicas, pela omissão desse Estado e pela conivência dele seja nas práticas criminosas, seja pela impunidade dos casos. O racismo em todas as suas formas, principalmente o estrutural é sem dúvida o responsável por todo esse contexto de execuções, exclusões, seletividades, preconceitos e criminalizações do povo negro e pobre”, diz Luciene.

O primeiro Boletim foi lançado em 28 de julho de 2021, no site do FGB.

O Fórum Grita Baixada acredita que o debate sobre raça/cor deve atravessar e estruturar toda discussão sobre violência, segurança pública e direitos humanos no Brasil, no Rio de Janeiro e em especial na região da Baixada que é majoritariamente negra.

Fonte: Fórum Grita Baixada | Imagem destaque: Renato Silva

Assine a nossa newsletter