UFRJ: Inscrições abertas para o curso Mídia, Violência e Direitos Humanos 0 20

Comunicadores, lideranças populares, pesquisadores e profissionais que atuam em favelas e periferias, podem se inscrever para a 5ª edição do Curso de Extensão Mídia, Violência e Direitos Humanos, até o dia 1º de agosto.

A presença de comunicadores populares no curso é fundamental para democratizar e disseminar o acesso a outras formas de narrativas, para que, também, novos comunicadores sejam formados e continuem promovendo cada vez mais essa discussão nos seus territórios. Uma tentativa de quebrar a narrativa hegemônica que naturaliza a violência e legitima a violência do estado contra negros, pobres e moradores de favelas e periferias.

Realizado pelo Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (Nepp-DH), o curso tem apenas 60 vagas disponíveis, mas permite ouvintes. Os interessados devem enviar nome, endereço, profissão e os motivos pelos quais deseja participar (até 3 linhas) para o e-mail mvdh@nepp-dh.ufrj.br. Para o recebimento de certificado, o participante deverá comparecer a pelo menos 75% dos encontros.

Nesta edição, a seleção dos candidatos é mais democrática. Será feita através de sorteio uma semana antes do início das aulas e divulgada na página do curso. Esta é edição mais longa, com 12 encontros as quintas-feiras e duração total de três meses. O formato é mesclado, entre aulas expositivas, mesa temática e roda de conversa. A última aula será especial, com exibição do filme “Nossos mortos têm voz” e a presença de seus criadores.

O conteúdo das aulas faz um convite à reflexão, sobre como a mídia hegemônica representa a violência em diferentes aspectos. Um debate mais que necessário para fortalecer e discutir maneiras alternativas de desconstruir um discurso para construir outro, de forma coletiva e colaborativa.

Alunos e alunas em uma aula do curso no ano de 2015. (Foto: Naldinho Lourenço)

“A cada edição, a gente incorpora mais pessoas que participaram dos cursos anteriores e tá conseguindo criar uma rede de pesquisadores e profissionais que atuam em favelas e periferias, comunicadores, lideranças populares, onde a gente faz um espaço de troca de conhecimento, da academia com as pessoas que trabalham ou moram e atuam em favelas e periferias”, afirma Pedro Barreto, Jornalista e o principal realizador do curso desde a 1ª edição, em 2013.

Em 2013, a professora Mariléa Venâncio e então Diretora do NEPP-DH, espaço que promove atividades de extensão e Pós-Graduação na UFRJ, convidou Pedro para ministrar o curso, a partir da sua pesquisa de Mestrado que, anos depois, se tornou tese de Doutorado Narrativas de Lei e Ordem: uma análise da cobertura de ´O Globo`sobre as Unidades de Polícia Pacificadora. Desde então, a discussão sobre a mídia foi incorporada ao NEPP-DH e realizada anualmente com o apoio e a mobilização da rede formada durante as edições.

Serviço

V Curso de Extensão Mídia, Violência e Direitos Humanos Dias: as quintas-feiras, de agosto a novembro de 2018 Horário: 17h30 às 20h30
Local: auditório do Nepp-DH (Avenida Pasteur 250, fundos. Urca – RJ)

Programação completa

9 de agosto: “O extermínio da juventude negra no Brasil”. Palestrantes: Mônica Francisco, cientista social e liderança do Movimento de Favelas; Renata Souza, jornalista e doutora em Comunicação e Cultura pela ECO-UFRJ; e Vantuil Pereira, historiador, professor e diretor do Nepp-DH. Mediação: Aline Sant´Ana, jornalista e mestra em Comunicação pelo PPGCOM/Uerj.

16 de agosto: Apresentação do curso “Mídia, violência e Direitos Humanos” e apresentação dos alunos. Palestrantes: Pedro Barreto, jornalista do SeCom/CFCH, doutor em Comunicação e Cultura e coordenador do curso; e Diego Santos Francisco, jornalista, mestre em Comunicação pelo PPGCom/Uerj e doutorando em Relações Étnico-Raciais pelo Cefet. Mediação: Aline Sant´Anna, jornalista, mestra em Comunicação pelo PPGCOM/Uerj e professora do Cederj.

23 de agosto: “O que são os Direitos Humanos?”. Professor: a confirmar.

30 de agosto: “Teoria crítica dos Direitos Humanos”. Professora: Ana Cláudia Tavares, professora do Nepp-DH/UFRJ.

6 de setembro: “Bandidos e vítimas virtuais: a representação da violência na mídia”, com a presença dos professores Michel Misse (IFCS) e Paulo Vaz (ECO). Mediação: Tatiana Lima, jornalista e professora da UFRRJ.

13 de setembro: “O monopólio midiático no Brasil: é possível mudar ‘por dentro’?”. Professoras: Suzy dos Santos (ECO/UFRJ) e Márcio Castilho (UFF). Mediação: Akemi Nitahara, jornalista da EBC.

27 de setembro: “A violência de gênero e a questão de gênero”. Professores: Lilia Guimarães Pougy (ESS) e Pedro Paulo Bicalho (IP e Nepp-DH/UFRJ). Mediação: Maria Niedja, assistente social e ativista da Unegro/Caxias.

4 de outubro: “A violência contra mulheres, gays, lésbicas e transexuais”. Palestrantes: Renata Saavedra (jornalista e doutora pela ECO), Gabi Oliveira, youtuber do canal DePretas; e Indianare Siqueira, ativista e militante trans e idealizadora do projeto PreparaNem. Mediação: Lilian Barbosa, assistente social, pós-graduanda do Nepp-DH e integrante do Coletivo de Mulheres da Escola de Serviço Social da UFRJ, do Coletivo de Negras e Negros da ESS-UFRJ Dona Ivone Lara e do Coletivo de Mulheres Afroindigena Zacimbagaba.

11 de outubro: “Encarceramento e adolescentes em conflito com a lei”. Professores: Eduardo Caon (TV Degase), Lívia Vidal, pedagoga e mestre em Educação, e Marcelo Biar, historiador e professor no Sistema Prisional. Mediação: Vanusa Maria de Melo, professora e mestra em Educação pela PUC-Rio.

25 de outubro: “Comunicação comunitária e outras narrativas”. Palestrantes: Cláudia Santiago Gianotti (jornalista e coordenadora do NPC), Guilherme Pimentel (coordenador do Defezap), Hélio Euclides (jornalista Redes da Maré) e Michel Silva (jornalista do Fala Roça). Mediadora: Thaís Cavalcante, jornalista e co-criadora do Portal Favela em Pauta.

1º de novembro: “Políticas Públicas em Direitos Humanos”. Professor Pedro Paulo Cunca Bocayuva (Nepp/DH).

8 de novembro: Exibição do filme “Nossos mortos têm voz”, produzido pelo Fórum Grita Baixada, Quiprocó Filmes e Rede de Mães e Familiares Vítimas da Violência de Estado da Baixada Fluminense, seguido de roda de conversa com os realizadores.

O curso é realização do Nepp-DH e da Decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), através do edital de Registro Único de Ações de Extensão (RUA) da Pró-Reitoria de Extensão da UFRJ, com o apoio das entidades parceiras Defezap, Fórum Grita Baixada, Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e Redes da Maré.

Romário Regis: “Pensa numa AK-47. Agora pensa numa AK-47 numa favela” 0 25

Pensa numa Ak-47.

Agora pensa numa Ak-47 numa favela.

Uma Ak-47 custa 60 mil reais. R$60.000,00.

O Brasil não fabrica Ak-47, mas mesmo as armas fabricadas no Brasil não podem ser compradas numa loja de conveniência.

ou seja,

Pra uma arma chegar numa favela, é preciso uma caminhada bem longa de muitos envolvidos, participantes e sócios. Não se compra um Fuzil ou uma Pistola na OLX.

Para uma AK-47 chegar numa favela, ela precisa ser importada ilegalmente. Precisa ter alguém que traga num transporte aéreo ou pelo mar e sabemos bem que a Favela não domina o mercado náutico e nem aéreo Brasileiro.

Para uma Ak-47 chegar numa favela, é preciso que alguém da polícia federal ganhe um dinheiro para as cargas entrarem na fronteira brasileira e circule pelas estradas do País para chegar em Estados como Rio de Janeiro e São Paulo.

Para uma Ak-47 chegar numa favela, é preciso que as polícias estaduais dos Estados que essa carga passe ganhem algum dinheiro.

Para uma Ak-47 chegar numa favela, é preciso que alguma parte do Governo do Estado seja conivente com a chegada de armas numa favela.

Pronto. Chegou a AK-47 e jovens que não possuem nenhuma instrução estão armados com uma arma super potente. Levam a culpa por toda uma cadeia produtiva de tráfico de armas que eles nem devem compreender.

E vai além.

Quando tem uma troca de tiro na favela ou na rua, a culpa não é apenas de quem está com a arma na mão, mas sim de TODA A CADEIA PRODUTIVA que fez a arma chegar na mão daquela pessoa. É tanto culpa de quem dá o tiro até a culpa de quem transporta a munição pelo mar ou aceita o arrego na Blitz numa dessas Br’s ai pelo Brasil.

E não tem só o “bandido atirador” não.

Tem Deputado.
Tem Governador.
Tem a Empresa de Armas.

Tem um monte de gente que “não deve ser citado”.

Um tiro é uma Genki Dama de gente envolvida. Seja você a favor do Estatuto do Desarmamento ou não, seja você a favor de Bandido Bom é bandido Morto ou não, é preciso saber que.

UMA
ARMA
NA
RUA
TEM
DEZENAS
DE
ENVOLVIDOS

Se bandido bom é bandido morto, sua lista precisa aumentar inclusive para os donos das empresas fabricantes de armas que lucram milhares de dólares e reais com essas armas vendidas informalmente.

O policial é o menor responsável dessa cadeia produtiva assim como o bandido que troca tiros de havaianas na favela não sabe de 5% daquilo que está envolvido.

Os culpados são outros e a gente insiste em resumir tudo na Wagner Montesrização de o único culpado é quem atira.

Geral é culpado. Entre quem dá o tiro e quem fabrica a arma, existe tanta gente envolvida que nem The Walking Dead daria conta de criar tanto personagem

Porque as vidas nas favelas importam 0 39

Foto: Bento Fabio

Jeremias Moraes da Silva morreu aos 13 anos de idade ao ser atingido por um tiro de fuzil durante uma operação policial em fevereiro de 2018, no Complexo da Maré. Ele voltava do futebol. Negro, jovem, cheio de vida pela frente. Estava aprendendo a tocar violão, mas seus sonhos foram interrompidos pelo cano do fuzil. Três meses depois, mais um jovem foi morto no Complexo da Maré: Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos de idade. Ele estava indo uniformizado para a escola quando foi baleado na barriga. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu horas mais tarde.

Segundo a ONU, a morte de Marcos Vinícius “é um exemplo do trágico número de 31 homicídios de crianças e adolescentes que acontecem por dia no Brasil. Em 2015, 11.403 meninos e meninas de 10 a 19 anos foram vítimas de homicídio no país – maior número absoluto de homicídios de adolescentes no mundo. Os adolescentes negros estão três vezes mais vulneráveis a mortes violentas em comparação com os brancos na mesma faixa etária”.

Fato é que as favelas historicamente são vistas pela mira do fuzil na tentativa de legitimar as ações policiais contra a guerra às drogas. Sem êxito, as favelas sofrem com o sucateamento dos serviços públicos básicos como saúde, saneamento e educação. “O Estado só se faz presente na forma de repressão, através do aparato policial em nossas favelas e quando fazem algo é sempre próximo de período eleitoral”, conta X*, uma moradora da Vila do Pinheiro, no Complexo da Maré.

Em julho de 2017, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou que as favelas do Rio de Janeiro iriam receber uma série de ações sócio-educativas para combater o crime organizado na cidade. Com dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, o Favela em Pauta mostrou recentemente como será executado o pacote de propostas e soluções através do Plano Nacional de Segurança no estado. Porém, já estamos na metade de 2018 e até agora a população não viu nenhum sinal de execução do plano emergencial.

A saída mais emergencial encontrada pelo presidente Michel Temer foi decretar – em fevereiro deste ano – uma intervenção federal na Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio até o dia 31 de dezembro de 2018. “O objetivo da intervenção é pôr termo a grave comprometimento da ordem pública no Estado do Rio de Janeiro”, diz um trecho do decreto 9.288. Desde o início da intervenção, mais de 38 policiais e um agente foram mortos. Dados obtidos pelo Observatório da Intervenção, uma iniciativa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes (CESeC/Ucam), mostra que 100 mil agentes já foram utilizados em 203 operações. Além dos agentes mortos, 56 pessoas também perderam suas vidas em operações.

A cada dia vemos crescer o número de aulas canceladas por causa de operações policiais, escolas alvejadas e crianças feridas ou mortas durante essas operações em horário escolar. Somente este ano já foram oito crianças e adolescentes vítimas de projéteis de armas de fogo. Em 2017, desde o início do ano letivo, a violência afetou o funcionamento de 467 escolas, onde 165.804 alunos ficaram, pelo menos um dia, sem condições de irem à escola.

As regiões que mais fecharam: Acari (45 dias de um total de 198); Maré (31 dias); Cidade de Deus e Manguinhos (25); Alemão (24); Favelas do Rola (23); Chapadão (20).

As mortes de jovens não podem ser normalizadas. O direito à vida deve vir em primeiro lugar.

Foto de capa da matéria por fotógrafo Bento Fabio

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