No vermelho dessa terra, sangue indígena 2 379

Como cria de aldeia tenho que lançar o papo: Das coisas que escuto na cidade, pouco se parece com o que vivemos em nossos territórios indígenas. De toda história nessa data contada, pouco se trata de verdade, pouco se fala de diversidade.

No Brasil somos muitos, mais de 300 povos, mais de 270 línguas maternas, de diversos troncos-linguísticos, não falamos tupi-guarani, não somos hostis e despidos. 

Das promessas e dos salários dados pelo governo, nunca vi aqui chegar, só vem de Brasília o que nos tira o chão, o que nos tira a morada dos nossos ancestrais, essa sim, é uma luta sem fim. 500 anos de saques e massacres, uma história que não te ensinaram, que não emolduraram, nunca encenaram, uma história guardada em nossas memórias, em nossas línguas, carregada a gerações.

“A história verdadeira os europeus não contaram, seu progresso imperialista muitas nações dizimaram. Mataram nossa cultura, nosso povo e a floresta, garimpeiros e fazendeiros correndo atrás do dinheiro querem matar o  que ainda resta.”

Letra de Maria e Nailton Muniz Pataxó hãhãhãe.

O Brasil que comemora o dia do índio é um país genocida, a violência cresce contra os povos originários, o vermelho nesta terra, o vermelho do Pau Brasil, carregam consigo o vermelho de nosso sangue, uma falsa comemoração, um dia sem consciência, carregado de estereótipos e apagamento de nossa identidades, não se tem motivo para comemorar.

Existe a luta e a dor que nunca cessou, existe o esquecimento do brasileiro, as lágrimas de mães indígenas, em nosso território derramam nosso sangue, envenenam tanto hoje quanto no passado, como aconteceu com o povo Cinta-larga envenenado por Arsênico em 1960, e agora em 2021, Mundurukus contaminados por mercúrio, tiram de nós nossos filhos, mancham Abya Yala com a tristeza da perda de seus guardiões.

O racismo anti-indígena existe, e a luta antirracista precisa se levantar contra ele, não existe floresta sem Povos indígenas, não existe esperança se não a derrubada de um Governo genocida e negacionista, não existe esperança sem a luta de sermos quem somos, sendo livres.

Texto: Alice Pataxó | Arte: Pé de Jatobá

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